Comemora-se no dia trinta do corrente mês o Bicentenário de Anita Garibaldi – a heroína de dois mundos.
ANITA
Poemas, Contos, Crônicas... Este “silo de armazenamento” não estoca o lirismo, mas o distribui, em forma de poemas, ao consumo de ávidos(as) pela doçura da vida!
Comemora-se no dia trinta do corrente mês o Bicentenário de Anita Garibaldi – a heroína de dois mundos.
ANITA
Semana passada, perdi um dos últimos amigos de fraterno convívio na pujante e bela juventude, Rodrigo de Haro, um dos maiores artistas brasileiros da arte pictórica e literária, filho do grande pintor Martinho de Haro. Conheci Rodrigo apresentado por Marcos Konder Reis, na década de 1960, num excelente boteco instalado num humilde rancho de canoa à beira da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando à mesa rústica, ele compartilhava com Benito Batistotti, um rico madeireiro catarinense, mecenas do Cinema Novo, que veio a ser, mais tarde, concunhado do irmão de Rodrigo, cujas festas de núpcias, Marcos e eu viemos de Armação do Itapocoróy a Florianópolis, na sede do Veleiros da Ilha, para participar do evento com Rodrigo; e não demorando, chegaram outros ilustres amigos... À mesa do boteco no Rio, entre prosas descontraídas, degustamos alguns camarões ao bafo, pescados na hora e preparados em seguida, regados à cerveja gelada, após doses de caipirinha.
Rodrigo e Marcos conviviam cultural e socialmente, na cidade maravilhosa, com as mais ilustres figuras icônicas da arte, àquela época; a exemplo de Vinícius de Moraes, colega de Itamarati do Marcos; Paulo Mendes Campos, escritor que viajara com Marcos em turnê pela Europa; Maria Alice Barroso; Lúcio Cardoso; Murilo Mendes; Otto Lara Resende; Paulo Saraceni, cineasta amante do Cinema Novo; e tantos outros. Frequentavam também, essas figuras, um barzinho de Ipanema, juntos a outras figuras icônicas como, ainda, Vinícius, Leila Dinis, Helô Pinheiro (a garota de Ipanema) e gente ligada à música.
Voltei a encontrar Rodrigo nos fins dos anos sessenta em Florianópolis, onde a família havia fixado residência. No Rio de Janeiro, moravam em casa própria muito aconchegante, no bairro de Laranjeiras e, em Florianópolis, numa residência à Rua Altamiro Guimarães. Já formado, de Porto Alegre, passei a residir à Rua Alves de Brito, vizinha à Família De Haro. Foi quando reencontrei Rodrigo, mantendo nossa amizade até seus últimos dias.
Faço homenagem à memória do amigo Rodrigo, no meu estilo literário, porque ele era apaixonado pelas décimas do cancioneiro; e em arremedo ao seu estilo em prosa poética na qual ele era exímio.
Desenho de Rodrigo, sua santa de devoção e nome do nosso Estado. Imagem que tanto ele pintou, cantou, escreveu e produziu um extraordinário livro que levou de presente, junto a uma comitiva do Governo do Estado catarinense, ao Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, Egito. Para Rodrigo um milagre contínuo e perpetuado, presente em nosso tempo, é ter três religiões (Islamismo, Cristianismo e Judaísmo) proprietárias do bem, convivendo simultânea e harmonicamente, com seus ritos e liturgias diversas, no mesmo local em horários diferentes, frequentados por multidões de seguidores, em que nos arredores todos se aglomeram e convivem fraternalmente. É um milagre! – dizia Rodrigo, que interagiu com esse povo eclético.
O nosso pintor partiu no dia de São Galo (Saint Gall), o santo artista da música, falecido em 01 de julho de 554, descendente de família tradicional da corte da França, país onde Rodrigo nasceu. S. Galo era um servo dedicado às cerimônias da Santa Missa, causa que o levou a se especializar nos cânticos sacros. Relatos afirmam que além do talento à música, era dotado de uma excelente voz, capaz de encantar e atrair fiéis para ouvi-lo cantar no coro do convento. Em seus feitos, o mais citado, foi ter salvado a cidade de um incêndio que ameaçava transformar em cinzas as construções locais. Galo teria aplacado as chamas que se apagavam, conforme as suas orações eram entonadas.
UM HINO A RODRIGO DE HARO
Autor: Laerte Tavares
P. S. -– Expresso minha gratidão à escritora, historiadora e professora, doutora Lélia Pereira Nunes, com robusta bagagem literária de pesquisa sobre cultura açoriana histórica e das que ainda remanescem, como a Festa do Divino Espírito Santo, tão viva na vida social do catarinense do litoral de nosso Estado, que editou matéria em página do jornal “PORTUGUESE TIMES”, pela excelente postagem referente às Festas do Divino neste ano pandêmico, que enalteceu minha terra natal – Penha, SC, efetivando sua 185ª Festa.
“É tempo de Espírito Santo na cartografia açoriana do Mundo” – página18: https://www.portuguesetimes.com/admin/archive/Edic%CC%A7a%CC%83o%202609%20-%2023%20de%20junho%20de%202021.pdf
É Dia do Expedicionário,
Merecedor de um sacrário
De luz, pois igual Sampaio,
Demonstrou não ser lacaio
E deu sua vida à Guerra
Para defender a terra
Desta Nação brasileira,
Tendo por sua bandeira,
O que a brasileira encerra.
Os pracinhas brasileiros
Mostraram brio, destemor,
Moral, paz interior
E altivos, sobranceiros,
Provaram aos estrangeiros
Serem vocacionados
À guerra; como os soldados
Mais combativos no front
E com a tomada de um Monte
Eles foram consagrados.
Famoso o Monte Castelo,
Covil sacro do inimigo
Representando um perigo
Pelo local – "il capello”
Que o diabo, por flagelo,
Usava para assombrar
Todo e qualquer militar
Que ousasse às subidas,
Porém com perdas de vidas
O Brasil pode o assaltar.
O P-47 (Thunderbolt) era
Famoso avião de caça
Que o brasileiro, com raça,
Usou a “nova pantera”
Fazendo o que não se espera
De um piloto aprendiz
Que desenhou no nariz
Do avião um avestruz,
Para poder fazer jus
Ao que a herói não condiz.
De ações quase suicidas,
Em seus radicais rasantes,
Ele arrasou tudo, antes
Dos infantes, às subidas
Em progressões protegidas
Por fogo da artilharia
Que à retaguarda cobria,
Chegassem para dar cabo
Ao tal chapéu do diabo
Invencível, se dizia.
Estribilho:
E foi à desforra, ao fim
Do fogo inimigo atuar
E a ter que ceder lugar
Ao intrépido clarim
E a nossa bandeira, assim
Ser hasteada no alto
Do Monte, ao último assalto
Que à guerra pôs um fim!