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domingo, 19 de junho de 2016

PENHA DOS ANOS QUARENTA



Hoje o município de Penha faz 57 anos de emancipação. Parabéns à minha terra, terra nossa tão amada, terra de meus ancestrais.  

ARMAÇÃO DE ITAPOCORÓI
Ah, Penha da minha infância!
Lembrança dos ancestrais.
Carroça de um só cavalo
Com um banco de mola, atrás.
A estrada de barro e lama
Com valetas laterais
Cheias de jasmins floridos.
Parada ao pai do papai
Por trás do balcão da venda
Do vô Antônio Tavares.
Chico Norberto – ferreiro;
Velho Chico Sapateiro;
Seu Salentim – alfaiate.
Quer cartório ou Intendência
Manoel Henrique de Assis.
Telégrafo – Telêmaco ou Bibico Filemon
Com seu Caminho do Arame
Feito do posteamento
De fios condutores de código Morse
Tendo como guarda-linha
Seu Zé Vieira da dona Estelita.
Tropeiro de gado – seu Zé Campina.
Ah, Freguesia bucólica de igrejinha do centro!...
Vitor do Nilo – Comércio ao lado rio Iriri
Das embarcações miúdas.
Depois, a venda do Abrão;
Miguel Mascate e a ponte
Com barco à vela atracado ao rio.
E ia-se ao Antônio Pires
Do outro lado, em Piçarras.
E, na volta para casa,
Passagem no homeopata
Na entrada da Praia Alegre.
Volta à Praia da Armação
Já ouvindo o mar na amplidão.

Visita ao avô materno
Caminhando a pé na praia.
Verde e mais verde à direita,
O mar sem-fim do outro lado
Limitando a caminhada.
Ali, o João Barra Velha,
Um córrego corta o caminho...
E mais verde, verde e verde
De camarinha, arumbeva,
Baleeira em verde crespo,
Altos mané da riola ou caçaranha.
Adiante, o João Dipurda
E verde verdes sem-fim feito mar.
José Demício, Emídio;
Verde e açucenas.
Pitangueiras na restinga;
João Vicente e os alemão.
A Praia dos Alemão
Nogueiras frondosas sobre casas
Ricas casas num reduto.
Dona Ana, tio Simsim,
João Bento Rosa e seu Louro;
Miguel Inácio e o seu rio,
Hoje, Marina Mestre Dóda,
A extremar com terras de meu padrinho
Domingos Aniceto da Costa
Com pés de caqui aos fundos;
Bastião Mariana, João Silva,
Seu Bernardino com o cambucá centenário.
E a Praia da Cancela, Pedra do Bagre,
Casa vazia branca de vigias redondas,
Grandes aroeiras, casa da Colônia dos
Pescadores sede da escola primária,
Figueiras e bandos de periquitos,
Uma outra grande aroeira
Casa dos Konder, fechada,
João Martins, Chico Mariquinha,
Dindinho e vó Agostinha:
Meu reino, meu paraíso,
Meu pomar, meu porto amado,
Meu céu, meu chão e legado.
Fanpage


terça-feira, 14 de junho de 2016

FERNANDO PESSOA

 



     Dia treze de junho, consagrado a Santo Antônio, também comemora-se o aniversário do grande poeta português Fernando António Nogueira Pessoa. Não dá para dizer que foi um poeta português e sim um poeta universal nascido em Portugal. Todos os grandes homens, de certa maneira, não têm nacionalidade póstuma para se tornarem do universo. Dizem os estudiosos que a libido é a energia motriz do instinto de vida de toda a conduta ativa e criadora do homem. Eu creio que essa energia se manifesta sob todos os aspectos e é distribuída a todos os afazeres do cotidiano do homem. Porém, no animal humano normal, ela se manifesta primordialmente para o universo sexual da criatura.
    Isso posto, vê-se pessoas expoentes em qualquer ramo da atividade humana serem desprovidas de sexualidade ou sublimam essa libido à matéria que dominam. Fernando Pessoa foi um místico. Sua poesia é atemporal ou eterna pelo conteúdo sublime. E como místico previu a própria morte, sendo o último verso que escreveu, este: "Não sei o que o amanhã trará". Verso escrito em inglês: "Know not what tomorrow will bring."
Pessoa alfabetizou-se em língua oficial da África do Sul, país para onde se mudou em tenra idade, quando sua mãe, viúva e casada em segunda nupciais com oficial da marinha, teve que residir naquela nação de língua inglesa.
Segue aqui minha humilde homenagem ao grande poeta e que ele me perdoe pela insipiência dos meus versos.


FERNANDO PESSOA 


“Não sei o que o amanhã trará”
Foi o que escreveu Fernando
Justo e, exatamente quando
A morte estava acolá,

Por trás do amanhã que já
Tinha por glória um bando
De anjos o esperando,
Que só aos eleitos há.

Morreu angelicalmente
Com o tal amanhã na mente,
Sereno, mas duvidando

Do quê que há lá na frente.
E o amanhã trouxe um ente
Eterno que é Fernando.




sexta-feira, 10 de junho de 2016

CAMÕES

HOJE É DIA DE CAMÕES. EM PORTUGAL É FERIADO IN MEMORIAM AO GRANDE MESTRE QUE MORREU EM 1580 E CONTRIBUÍDO PARA HISTÓRIA COMO HERÓI ATUAL. LEMBREMOS, POIS, DE SEUS FEITOS E LEGADO À NOSSA GENTE.


CAMÕES


Grande Mestre Português,
O Luiz Vaz de Camões
Em todas as dimensões
Foi grande – sem pequenez...

Não só nos versos talvez,
Mas sim nas expedições
Ultramarinas, ações
Enormes como as bem fez.

Príncipe da Literatura,
Herói e Rei de aventura,
Que naufragado, detém

Obra de epopeia pura
Presa à boca. A criatura
Salvou vida e obra também.


CAMÕES II

Não chorai na sepultura
Pela sua língua lusa,
Flor do Lácio, que se usa
Não mais da maneira pura,

Qual sua literatura,
Mas bem mesclada e confusa
Feita normas de medusa
Ou outra bruxa mais dura.

Grande mestre, repousai
Sem externar um só ai!
Porque língua viva morre

Ou ressuscita e ainda vai
Como a lusa, oh grande pai,
Vossos versos a socorre!


Camões teve uma vida muito agitada, tumultuada e cheia de embaraços. Em um momento de desolação e revolta escreveu o seguinte soneto muito pouco conhecido, pois só se conhece dele os fatos grandiosos de Portugal.

O dia em que eu nasci morra e pereça,
Não o queira jamais o mundo o dar,
Não torne mais ao mundo, e se tornar,
Eclipse neste passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol o escureça,
Mostre ao mundo sinal de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe o próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida
Cuidem que o mundo já se destruíu.

Oh, gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deu ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu.