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sábado, 30 de setembro de 2017

SONETO À PARTE DA SECÇÃO DA SESSÃO DOS CEM SONETOS - O SÉTIMO DA SESSÃO


    Hoje, último dia de setembro, mês que abre a primavera, a paixão por flores buzinou-me para que eu homenageasse uma delas específica como símbolo da estação. Veio-me a rosa-da-manhã alba e sem mácula, orvalhada e exposta aos primeiros raios da aurora. Pensei na rosa-rubra oferecida a bem-amada na plenitude de minha adolescência, ao sentir eternizar-se o momento em que ela a tomou à mão, olhou-me com seus olhos negros, alongados e ternos, e baixou-os à flor à medida que a levava ao olfato a aspirar o aroma doce. Enquanto meu coração disparava em ânsias por sua reação culminada em leve beijo sobre minha face, possivelmente encarnada como a rosa-rubra, e a latejar perifericamente. 
    Pensei na orquídea, mais precisamente na laelia purpurata, símbolo do Estado de Santa Catarina, e do meu arrebatamento. Imaginei a dália e até mesmo a jurubeba, flor narcótica utilizada pelos habitantes indígenas que nos precederam na ocupação da ilha que habitamos. Finalmente, com um toque longo e um breve, a buzina da paixão sinalizou-me à flor augusta da vida, para a qual elaborei um pequeno soneto em sua homenagem.


Caladium (popularmente: tajá, tajurá ou tinhorão) 


AUGUSTA FLOR
Autor: Laerte Tavares

Lascivo caladium em florescência
Voluptuosa, corola labiada
Do gineceu – tu és paixão, amada!
Sonho de luz    tu és concupiscência!

Feito desejo tosco, em sua essência,
O falo ou androceu sem ver mais nada,
Só mira com a paixão exacerbada,
O gozo do prazer. Mas a existência

De um novo ser virá quando, então, for
 Consumada a união sem mais pudor.
Oh, cárnea flor que excita e seduz,

Tu simbolizas vida, luz, amor,
Qual ser divino que é reprodutor
Augusto e eterno, por em dor, dar luz.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SEÇÃO VI DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS - A PRIMAVERA DA INFÂNCIA

 

Obra de Rodrigo Antônio de Haro (10cm x 13cm)


     Apaixonado pela Ilha de Santa Catarina por ter as quatro estações do ano perfeitamente definidas, e por ser à primavera mais bela ainda, de luz magnética, com um poente ou aurora em que  se denota matizes de luzes e cores, as mais exóticas da atmosfera deste maravilhoso Planeta Azul. 
     Recordo que o meu amigo, poeta Marcos Konder Reis dizia que no céu ilhéu era possível ver a cor amarelo-canário em certos ocasos outonais ou primaveris, com um gradiente de concordância às floradas dos guapuruvus (garapuvus – ao nativo) em amarelo-ouro.  
     À primavera as flores são ainda mais abundantes, desde os ipês-amarelos, ipês-roxos, jacarandás-mimosos e jacatirões (ou manacás-da-serra) em arborizações de logradouros, até aos ajardinamentos das amplas praças públicas e jardins residenciais com suas azaleias, acácias, bougainvilles, alamandas e tantas outras plantas.  
     Assim se engalana a ilha, lotada de flores que formam verdadeiros tapetes roxos, amarelos e multicoloridos, no solo sob as árvores. Mas as dádivas celestiais maiores, são os frutos numa profusão de espécies, de sabores, cores e aromas que compõe uma enormidade de tipos em sucessivos tempos primaveris, quando adentra o verão, mais de vagar.
 
    Exaltando as belezas, homenageio não somente a nova primavera, mas também a augusta Ilha primaveril cheia de encantos com suas quarenta e duas praias paradisíacas. Salve a primavera e a nossa ilha de idílios.

PRIMAVERA DA INFÂNCIA

Sai o inverno e a primavera
Chega com o doce hino
Do sabiá em seu trino,
Que nas primeiras horas, dera.

Tempo de flores à espera
Do sazonal e divino
Fruto que, quando menino,
Furto de fruto era mera

Peraltice sem maldade
Da minha saudosa idade
Com ingenuidade afim.

Ora, essa estação me invade
Com a sacrossanta saudade
Do moleque que há em mim.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SEÇÃO V DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS

Luz do Espírito Santo - réplica de lamparina portuguesa
(popularmente chamada de pomboca) 

MEU SER É UM MISTÉRIO

Como um ateu que acredita em nada,
Eu cumpro a minha vida de arremedo,
Trazendo em mente a luz do próprio medo
E no meu ser, a alma imaginada.

Trilho sozinho a tortuosa estrada
A palmilhar no rumo de um enredo
De algum suposto script - segredo
Da liberdade que me foi negada.

Quem sou, já não interessa  mais eu crer.
Eu sei apenas ser um certo ser
Como outros tantos trilhando o caminho

Contra o destino a ater-se ao dever
De ir na trilha, cego, sem saber
O ser qual é que eu não sei, adivinho.



(16/09) É O DIA INTERNACIONAL PARA A PRESERVAÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO. 

 VÍDEO: NATUREZA