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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O PRIMEIRO CINEMA - LANTERNA MÁGICA

Imagem de Rodrigo de Haro e da sua obra lançado 



    Ontem, aconteceu o lançamento da obra LANTERNA MÁGICA do acadêmico Rodrigo de Haro, após a sessão solene de comemoração aos noventa e nove anos da Academia Catarinense de Letras. Sessão, em que Rodrigo foi homenageado e nos brindou com inúmeras histórias da nossa rica História Catarinense.

    Lanterna mágica é o nome inicial, devido as primeiras manifestações cinematográficas que se têm notícias. Em novembro de 1785, a Ilha de Santa Catarina teve a primeira projeção cinematográfica exibida por LANTERNA MÁGICA, pois o rei francês Louis XVI recomendara a Lapérouse, viajante navegador que, pelos portos por onde passasse e aportasse, fizesse a demonstração do novo invento que estava a agitar a Europa no final do século XVII, e proibido pelos revolucionários de Robespierre. E assim, quando em novembro de 1785 os navios de Lapérouse ancoraram na Baía Sul, dessa “Ilha de Idílios”, trazendo a bordo, além de inúmeros bois, carneiros, cabras e faisões como mantimentos, o “cinematográfico” equipamento necessário à exibição de imagens. Sendo o comandante e os tripulantes das naus muito bem recebidos pelo governador da província, à época. No largo à frente da igreja, hoje, Praça XV de Novembro, instalaram um pano de vela muito alvo e, ao som dos realejos (serinettes ou órgão da Alemanha ou Barbarie), projetaram uma série de figuras. Uma das músicas tocadas pelos realejos ainda se canta na ilha, que é a "Marlborough vai à guerra".


    Soubemos que Louis Charles Adelaide von Chamisso (1781-1838) escritor, poeta e naturalista, que havia lançado com sucesso o breve livro - "O Homem sem Sombra", resolvera fugir de uma Europa em guerras em busca de terras virgens. Aportou em nossa ilha e permaneceu nela por longo tempo. Foi este nobre que levou para plantar em toda a Côte d'Azur, inclusive Cannes, mudas de nossas palmeiras e, segundo o próprio registrou, ele e seus amigos plantaram as sementes na Riviera Francesa. Sabe-se que a Palma de Ouro simbolizada em troféu do Festival de Cannes é uma folha da palmeira levada do Brasil. Fato que surpreendeu o Diretor do Festival de Cannes, quando Rodrigo lhe revelou o fato, em festival que participou junto ao amigo Gilberto Schmidt Gerlach, participante assíduo dos festivais de cinemas em Cannes.
    Além de falar da Língua Portuguesa culta, Rodrigo narrou do linguajar popular do nosso cancioneiro, muitíssimo espirituoso, declamando versos em que o versejador dizia a bem-amada "que se ela fosse ao fim do mundo ou onde o diabo perdeu as botas, ele iria atrás...". Versos que me inspiraram ao humilde soneto, aqui postado:



"ILHA D'IDÍLIOS"


Se fores ao fim do mundo,
Ao fim do mundo eu irei
Porque o amor e a sua lei
Forçam-me a isso, no fundo.


Na paixão com a qual me inundo
Tu és rainha e eu sou rei
E o nosso reino, eu bem sei,
É o universo rotundo.


Mas se ao fim do mundo eu for
Em busca do nosso amor,
Voltarei na mesma trilha


Para te trazer de novo
E vivermos com este povo
Em doce idílio na Ilha!



Por fazer parte da história da Ilha d'Idílios, o doutor Harry Correa, aos seu noventa e quatro anos de vida e apreciador de um bom uísque escocês. Posto aqui nossa foto no Box 32 do Mercado Público Municipal de Florianópolis. Palmas para ele!...

terça-feira, 22 de outubro de 2019

A LANTERNA MÁGICA


Rodrigo Antônio de Haro é lenda imortalizada e consagrada por sua obra extraordinária como pintor e poeta. Filho do grande artista do pincel Martinho de Haro, nasceu na França quando da estada de seus pais em solo estrangeiro, onde Martinho, premiado em concurso, obteve bolsa de aperfeiçoamento na arte em academias francesas. Época em que estoura a Segunda Grande Guerra, vindo Rodrigo ao mundo enquanto seus pais, em fuga, tentavam voltar para o Brasil via Portugal que viabilizou a viagem pretendida. 
Eminente intelectual de cultura elevada, aos oitenta anos, Rodrigo lançará mais um livro de sua vasta lavra, intitulado LANTERNA MÁGICA. A obra procura iluminar folclóricas figuras humanas de nossa antológica ilha, pródiga em indivíduos “míticos” – sui generis em seus modus vivendi, que o artista os descreve em poemas não narrativos, mas conforme viu e os sentiu, sem que os versos sejam herméticos. É mais um presente que esse extraordinário artista oferta à ilha de idílios.
        Rodrigo é membro da Academia Catarinense de Letras, Cadeira 35.
Como exemplos de seu estilo pictórico e literário, algumas figuras e versos sobre poetisa e poetas de sua admiração:







CONVITE




quinta-feira, 3 de outubro de 2019

MUSEU HISTÓRICO DE SANTA CATARINA

Palácio Cruz e Sousa que abriga o acervo do MHSC - À lateral esquerda (ao jardim) figura (grafite - artista local) do poeta em parede de prédio adjacente 

Pela lei 5476, de 04 de outubro de 1978, o então Governador Antônio Carlos Konder Reis, que dentre outras formações também era museólogo, criou o Museu Histórico de Santa Catarina subordinado à Secretaria de Educação e Cultura, instalado no prédio da antiga Alfândega de Florianópolis. Em 1979 durante o Governo de Jorge Bornhausen, primo-irmão de Konder Reis, o MHSC foi transferido para as dependências do antigo Palácio do Governo que passou a ser denominado Palácio Cruz e Sousa, nome do maior poeta catarinense – simbolista, o Dante Negro brasileiro, comparado aos mais importantes poetas do mundo,  dessa Escola Literária.
Tenho orgulho por ter sido contemporâneo e amigo dos importantes personagens citados e de outros coadjuvantes tão necessários à consecução do objetivo extraordinário para a vida cultural do Estado de Santa Catarina, cujos nomes de dois personagens não poderia omitir – Marcos José Konder Reis que, apesar de não ocupando cargo algum no Estado, muito auxiliou na área cultural no governo de seu irmão Antônio Carlos. Importante também, é citar o nome do Professor Jali Meirinho, executor de trabalhos, diligências e tratativas aos procedimentos necessários à finalização do projeto de implantação do MHSC, como Presidente dos Museus de Santa Catarina, na época.
Em data recente tive a honra de participar com Alexandre Fleischmann, primo de Konder Reis, da entrega de medalhas, obras e comendas do extraordinário estadista, material cedido pela família, após seu falecimento, ao MHSC para fazer parte do acervo histórico dessa instituição.
Hoje, véspera do dia de aniversário do MHSC, quero homenagear a instituição e a cultura catarinense.


MUSEU CRUZ E SOUSA

Como um brinquedo de fada

Ou palácio de brinquedo,

Frente à igreja e ao arvoredo,

Há a linda casa rosada.


Governantes da sacada,

Falaram, ergueram o dedo...

Muitos deixaram o segredo

Falar, sem dizer nada.


Hoje o palácio é, por lei,

Só da cultura. Venceu

A arte  em definitivo.


Ali, seu único rei

É um poeta, e o seu

Legado é um ativo.



Quando da entrega das medalhas, obras e comendas do Ex-governador Antônio Carlos Konder Reis - Primeira-dama do Estado Késia Martins da Silva, Laerte Tavares representando a Academia Catarinense de Letras, Diretora do MHSC Zilene Cardoso e Alexandre Fleischmann, primo de Antônio Carlos.