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domingo, 22 de setembro de 2019

PRIMAVERA

Obra de Rodrigo Antônio de Haro (10cm x 13cm).

     Apaixonado pela Ilha de Santa Catarina por ter as quatro estações do ano perfeitamente definidas, e por ser à primavera mais bela ainda, de luz magnética, com um poente ou aurora em que  se denota matizes de luzes e cores, as mais exóticas da atmosfera deste maravilhoso Planeta Azul. 
     Recordo que o meu amigo, poeta Marcos Konder Reis dizia que no céu ilhéu era possível ver a cor amarelo-canário em certos ocasos outonais ou primaveris, com um gradiente de concordância às floradas dos guapuruvus (garapuvus – ao nativo) em amarelo-ouro.  
     À primavera as flores são ainda mais abundantes, desde os ipês-amarelos, ipês-roxos, jacarandás-mimosos e jacatirões (ou manacás-da-serra) em arborizações de logradouros, até aos ajardinamentos das amplas praças públicas e jardins residenciais com suas azaleias, acácias, bougainvilles, alamandas e tantas outras plantas.  
     Assim se engalana a ilha, lotada de flores que formam verdadeiros tapetes roxos, amarelos e multicoloridos, no solo sob as árvores. Mas as dádivas celestiais maiores, são os frutos numa profusão de espécies, de sabores, cores e aromas que compõe uma enormidade de tipos em sucessivos tempos primaveris, quando adentra o verão, mais de vagar.
 
    Exaltando as belezas, homenageio não somente a nova primavera, mas também a augusta Ilha primaveril cheia de encantos com suas quarenta e duas praias paradisíacas. Salve a primavera e a nossa ilha de idílios.

PRIMAVERA DA INFÂNCIA

Sai o inverno e a primavera
Chega com o doce hino
Do sabiá em seu trino,
Que nas primeiras horas, dera.

Tempo de flores à espera
Do sazonal e divino
Fruto que, quando menino,
Furto de fruto era mera

Peraltice sem maldade
Da minha saudosa idade
Com ingenuidade afim.

Ora, essa estação me invade
Com a sacrossanta saudade
Do moleque que há em mim.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

BLUMENAU

capa da obra

Confunde-se com o seu rio
Pujante que, em certo estio,
Por ele subiu uma nau
Aportando à margem, em vau
Das águas, junto à clareira
De mata onde ficou a bandeira
Do imigrante alemão
Que trocou sua Nação
Pela Nação Brasileira.

E próximo ao rio corrente,
Em espraiado seminu
De matas, um pouco à frente,
Fez-se o terreno excelente
 Como o perfeito lugar
Para uma colônia fundar.
E ali Blumenau nasceu,
Evoluiu e no apogeu
Tem a história singular.

História que é contada
Com uma perfeição de sobra
Em extensa e elegante obra
Sem de fora deixar nada,
A tal obra é intitulada:
“Colônia Blumenau no Sul do Brasil".
Contando a saga e o perfil
Do imigrante alemão
Nessa colonização
Refinada, mas sutil.

Hoje, a Cidade Jardim,
Cidade-Flor que encanta
Por rica beleza e tanta
Pujança também, assim
Como a do rio que é afim
Do mar, ela faz-se  enchente
Quando chove na nascente
A transformar Blumenau
Em uma suposta nau
Ancorada em rio corrente.

Blumenau é conhecida
Pela Octorberfest, e mais:
Por enchentes casuais,
Pelas flores, muita vida...
E essa obra é concebida
Com detalhes que houve em cada
Evento na empreitada
Em terra de mata virgem 
Por um povo com origem
Que dela entendia nada.

Com prazer, informo que Gilberto Schmidt Gerlach, meu confrade na Academia Catarinense de Letras, estará lançando no dia 25 de setembro (quarta-feira) de 2019 às 20h, no espaço Cinema do CIC - Centro Integrado de Cultura, Florianópolis, SC, o livro "Colônia Blumenau no Sul do Brasil", (volume de 800 págs.) mais o filme (67'). Esse obra impressa em dois volumes é um verdadeiro tesouro. Um trabalho de esmero, a partir de cuidadosa pesquisa realizada por Gerlach, Bruno Kilian Kadletz, Marcondes Marchetti e outros colaboradores.


Imagem contida na obra: da primeira aglomeração de casas de J.Georg Repsold e sua família no Brasil, construída em 1864, na Província de Santa Catarina, Colônia de Blumenau. Vendida para o famoso botânico e darwinis Fritz Müller. Acervo: Sammlung J. Blumenau-Niesel, Berlin - Alemanha.