Linguagem[+]

quarta-feira, 3 de julho de 2019

IN MEMORIAM - CARLOS HENRIQUE MALBURG

CARLOS MALBURG - O IRMÃO (com a Lili e o Leo) - IN MEMORIAM

     Meu grande amigo, colega arquiteto, irmão e mecenas CARLOS HENRIQUE MALBURG partiu ontem para a eternidade. Triste! Lamentável a ideia de não mais  tê-lo em nosso convívio. Mas chamado por Deus... Conforta-nos a lembrança saudosa de que ele viveu! Viveu como quem vive intensamente pelo amor sem restrição, pela bondade sem limites e pela solidariedade de eternos laços górdios. Ele foi doce como a suavidade aromática da laranjeira florida; terno como a candura da alvorada calada e seguro feito o basilar baluarte sobre a pedra fundamental. Seu sorriso era a pedra de toque que atestava a nobreza de um caráter sério que não traía a meiguice de seu coração enorme. 
     Carlos queixou-se nunca, em nada e sempre vibrou por tudo. Gozador desde de menino: aos dez anos de idade, ele viu o mercado lançar um doce de leite gaúcho chamado MUMU, cuja propaganda era afixada em placas de vias da entrada de cidades com seus respectivos nomes e os seguintes dizeres (exemplo): “Roma tem MUMU” “Atenas tem MUMU”... De férias com os pais, em praia de veraneio de Armação do Itapocoróy,  Penha, SC, observou que ali não havia o produto nem as tais placas visualizadas durante toda a viagem terrestre do Rio de Janeiro. Não teve dúvidas, foi na venda de meu pai e arranjou algumas caixas de papelão, as desmontou em plaquetas que as afixou nos postes próximos à casa deles, onde lia-se: “ARMAÇÃO NÃO TEM MUMU”.
    São essas saudosas cenas que acentuam as saudades (o que ficou dele conosco) antecipadas de sua lembrança. Eu o homenageio com um poema composto ao Carlos - In Memoriam:

CARLOS HENRIQUE MALBUG
(In Memoriam)
Autor: Laerte Tavares

Partiste aos braços de Deus
Onde sonhaste Morada!
Aqui tu deixaste, em cada
Coração saudoso, os teus
Sonhos e os planos seus
Em percurso, interrompidos.
Mas deste a todos, ouvidos,
Para ajudar em seus planos,
Por seres, entre os humanos,
Humano em todos sentidos!

Carlinhos, tu foste luz
Na terra! E no céu, enfim,
Tu serás um serafim
Junto ao Pai, junto a Jesus!
O teu trajeto conduz
À glória - a eterna paz
De quem acredita e faz
Da crença, a vida, pra crê-la. 
Tu serás mais uma estrela
Do céu, onde a noite jaz!

Entregas ao Criador  
Teu espírito cristão
Que aqui não trilhou em vão.
Veio ao mundo por amor
E fez-se superior
Amando e a semear
O amor em todo lugar,
Conforme nos pregou Cristo.
Sente Carlos, é por "isto" 
Que eu te coloco num altar!


quarta-feira, 19 de junho de 2019

IN VINO VERITAS EST (NO VINHO ESTÁ A VERDADE)

web - deus Dionísio ou Baco

“Moro num país tropical e abençoado por Deus”, mas às vésperas do inverno, a gente sente na alma e no corpo que ao sul do equador, em nossa santa e bela Catarina (SC Brasil), temos perfeitamente bem definidas as quatro estações do ano, quer no clima, quer na natureza pródiga de vegetações, flores e frutos ou na atmosfera transcendente que nos presenteia com sentimentos diversos. Inverno, o sentimento de carência e aconchego aflora à alma e se busca também, em outras culturas, costumes como o fondue e o vinho tinto temperatura ambiente à libação entre familiares e amigos. Este sonhador que me faço, aproveita os primeiros friozinhos para a degustação do bom tinto e não despreza o português da região do Dão ou do Douro por atavismo do pai e do avô paterno de origem portuguesa do Porto. A libação vínica é ritual indispensável, em comunhão com os seus. Então, em homenagem ao vinho, compus um poeminha intitulado “in vino veritas est”.

IN VINO VERITAS EST
Autor: Laerte Tavares

Meu confidente é o vinho!
Eu o cumprimento, ao abri-lo.
Confidencio-lhe aquilo
Tudo que eu sonho sozinho.
E ele, como um adivinho,
Parece já saber tudo;
Permanece atento e mudo
Feito um excelente ouvinte.
Depois, no passo seguinte
Dou uma girada na taça,
Quando ele abre sua graça
Com elegância e requinte.

Ergo a taça, sinto o aroma.
Fito-o com amor e carinho.
Beijo o cristal, sorvo o vinho.
E é quando o prazer me toma,
Conduzindo-me à redoma
Da meditação profunda
Com minha alma, que se inunda
De luz, num estado de graça
Inebriante, que passa 
Por transcendência fecunda.  

Largo a taça em algum lugar
E sigo o meu pensamento
Absorto, como o vento
Ou uma brisa do mar
Que nem está a ventar.
Permaneço observando
O meu pensar. E até quando
Divago sem rota ou rumo.
Depois, me tomo de prumo,
Dono do que estou pensando.

Nesse estado de prazer
Ou doce contentamento
Dirijo o meu pensamento
Para analisar meu ser
Responsável, no dever,
De viver a minha vida
Como coisa concebida
Por um místico mistério.
Por isso, não levo a sério
Se eu me envolvo com a bebida.

Dou mais um gole. E saúde!
Viva a mim e viva o vinho!
Viva meu sonho e caminho!
Viva a eterna juventude
Da alma que à mente ilude
Ser tão jovem quanto ela!
Viva a vida “dolce” e bela
Quando eu bebo com prazer!
Viva o corpo ou alma ou ser:
Ente que em nós se revela!

E o vinho já me inebria!
Sonho ser quem quero ser.
Ser que sonha com o prazer,
Com o amor, com a poesia
Que sua própria alma cria
Nesse estado inebriante
Não qual ébrio, mas amante
Do vinho que até Jesus
Bebeu com amigos, à luz
Do amor, que era o bastante!




sexta-feira, 31 de maio de 2019

FESTAS AO DIVINO ESPÍRITO SANTO NO LITORAL DE SANTA CATARINA

COROA, CETRO E SALVA  DA FESTA DO DIVINO
A coroa, o cetro e a salva simbolizam a responsabilidade e o compromisso do festeiro com o culto. Na ponta do cetro há uma pomba que representa o Espírito Santo, a paz, o amor e a humildade.
Hoje, a religião católica comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos – Pentecostes, que corresponde a cinquenta dias depois do domingo de Páscoa e abre-se o Ciclo das Festas do Divino Espírito Santo em diversas cidades do litoral de Santa Catarina para onde vieram os portugueses açorianos e trouxeram com eles a tradição da Festa do Divino que se enraizou em terras catarinenses com muito êxito à fé e à devoção ao Deus da Trindade Santa. Aqui em nossa Ilha, Florianópolis, a Festa já é celebrada há duzentos e quarenta e três anos.
Homenageio essa celebração catarinense com um pequeno poema narrativo que compus.

DIVINO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é luz!
É Deus da Trindade Santa
Da sabedoria, tanta
Quanto a fé a quem faz jus
Ao saber que à mente induz
Como uma graça divina.
E em Santa Catarina
O espírito santo é amor!
Sua Luz Superior
A nossa gente ilumina.

Contam que uma rainha
Portuguesa, a Izabel,
Vendo disputa cruel
De um filho que desalinha
E com o domínio que tinha,
Rebelou-se ao reinado
Do pai, que indignado,
Viu-se em guerra e em desatino.
Izabel pede ao Divino
A paz, a um e ao outro lado.

Fez a promessa ao Divino
Que se  eles fizessem às pazes
E se tornassem capazes
De terem por rumo e tino
O amor, faria de um menino
O imperador triunfal
Do Divino em Portugal,
Doando a sua coroa
A um infante ou à pessoa
Destinada ao ritual.

Entendendo-se, pai e filho,
Em união pela paz,
Isabel, pois, cumpre e faz
Sem entrave ou empecilho,
Que tudo seguisse o trilho
Do seu plano de promessa,
E deu uma ordem expressa
Para a coroa dispor
Ao futuro Imperador
E que a fizessem a remessa.

Depois, Rainha Izabel  
Remeteu como presente,
Cetro e coroa à gente
Açoriana fiel
Ao Divino, no papel
De colonizadores
Das nove ilhas de Açores.
Sendo cumprida a missão
Prosseguiu a tradição
A inovar anteriores.

E assim, já passados anos
A mesma festa ao Divino
Teve o Brasil por destino
Junto dos açorianos
Com sagrados e profanos
Costumes de tradição,
Mas aqui, a religião
Católica foi propagada
Como paixão, mais que nada,
A Deus, à pátria e à nação.

E as festas do Divino
Espalharam-se em doutrina
Ao litoral catarina.
Hoje é forte até no ensino
Religioso ou por tino
De fé e de tradição
De um povo. A religião
É parte dessa cultura
Que ao folclore se mistura,
Mas bem definidos são.