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quinta-feira, 5 de maio de 2022

CINCO DE MAIO – DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

IMAGEM WEB

“Inculta e bela”, doce língua de diversos

Povos que a falam com muita altivez.  

Língua amada do povo português,  

Como Camões, que a usou em vários versos. 

                               

Homenagem ao Dia Mundial da Língua Portuguesa e a Olavo Bilac:


LÍNGUA PORTUGUESA

                                Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!



sábado, 19 de fevereiro de 2022

REFLEXÕES DAS SAUDADES

 

Marcos José Konder Reis
Fonte - Itajaipedia

Poema de MKR  - A MINHA SEPULTURA


Convidado a apresentar, em prefácio, uma obra póstuma de um colega engenheiro amigo, diplomata, escritor e poeta Marcos José Konder Reis, para ser lançada no ano corrente nas comemorações ao seu centenário em nossa terra natal, Itajaí SC, dei-me conta do dinossauro que sou, fazendo-me refletir sobre a existência humana:

O TEMPO PASSSA
Autor – Laerte Tavares


O tempo passa e passando,
Um dia é dia de ir,
Mas pensemos no porvir
Do nosso plano! Até quando?


Nossa nau de pano pando
Crê em não submergir
Rumo a um porto; e a seguir
Com a gente ao timão guiando.


O importante na vida
É não pensar na saída.
Deixa pra depois de morto.


Singremos de vela erguida
Em busca de uma guarida
No tal ansiado porto!

******


    O segredo para não pensar em saída, é o amor. Amar com toda a ternura e dedicação, sentindo que vivemos loucos de prazer em amar por determinação da vida, pois nascemos do amor, pelo amor e para o amor. E Deus é Amor! Sonhar, vivenciando o doce amor que enternece, ilumina e reanima; em qualquer natural percalço, o amor nos conforta, ampara e alivia a dor. Por isso canto o amor e, por humano, canto o humano ser que amo.

TEU CORPO É POESIA
Autor – Laerte Tavares

 

Teu corpo é poesia. É sonho que me seduz.
É porto virginal, sereno e perto,
Que aportei quando ainda deserto.
Teus olhos são farol de intensa luz.


A minha nau, em sonho, me conduz
A navegar por oceano aberto,
Em rota desejada e rumo certo,
Ao porto de teus braços seminus.


O cais de atracação é a nossa cama.
Tudo se torna amor, quando se ama,
E a alma ganha luz superior.


Toco teu corpo e se acende a chama.
Todo o ardor sublime se derrama
Entre os dois corpos nus, plenos de amor.

******


    Um pouco de loucura também ajuda a sermos felizes e a não pensarmos que findamos.

NO VINHO HÁ A VERDADE
Autor – Laerte Tavares

Bebo o vinho da loucura
Erguendo bem alto a taça.
Se o tempo passa ou não passa
Postergo à data futura

Para pensar e, à altura,
O meu pensar ultrapassa
O futuro, com a graça
De uma visão baça e escura.

Depois de turvada a mente
O meu ser ébrio se sente
Semicego – um aprendiz.

E o aprendiz simplesmente,
Por ser ingênuo, é um crente
Ser ente eterno e feliz.


******
 
    Por último, eu recomendaria a fé e a esperança. Esperançar a esperança não é redundância gramatical e nem redundância real. Se há em nós um resquício de esperança, ao estimularmos o resíduo esquecido, com fé, a esperança agiganta-se para a realização de seu sonho ou plano:


NÓS FIZEMOS UM PLANO E DEUS OUTRO

Autor – Laerte Tavares


Pois, a cada nova manhã 

Nasce uma nova esperança.

Quando o Sol, a aurora, alcança 

Não deixa a alvorada vã.

 

Traz uma energia sã

Que estimula a bonança, 

E na atmosfera lança 

Luz à vida e à fé cristã.

 

E se a fé remove montanha, 

Traz esperança que ganha  

Um Iluminismo risonho.

 

Determinado, a sanha 

De vencer, faz-se tamanha 

Que a Luz realiza o sonho.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

NATAL E MINHAS REMINISCÊNCIAS DA INFÂNCIA


Sempre que chega dezembro
Se projeta em mim a infância
Dada a saudade; a distância
Encurto e, ora, lembro
Ser, da família, um membro
Da atenção de um presente
Para o meu ser inocente
Que tinha contentamento
Durante todo o Advento
Do Natal, no dia e à frente.

Sentia uma força viva
Para também presentear
Os de fora e os do lar,
Mas mamãe, persuasiva,
Iludia-me com a evasiva
De que seria o advento,
O tempo do cumprimento
Com votos às boas festas
A todos. – "E bastam estas
Atenções!" Foi-me o escarmento: 

Desejo a todos, e a cada um em particular, um Sacrossanto Natal festejando o Menino que veio para saciar a fome do espírito e alma com o sagrado Pão Eucarístico que Jesus viria, um dia, a consagrar. E, da mesma forma, votos de um Feliz Novo Ano para mitigar a sede do corpo e da mente dos mais recônditos desejos reprimidos pela pandemia prolongada, mas não finda ainda, à celebração da vida em festa de Réveillon e a  cada momento do novo ano. 

Laerte Tavares.  

    Ainda, sobre reminiscências de infância, lembro que para enfeitar a noite natalina, fazíamos lamparinas com lâminas de cortiça de rolhas de vinho, do meu pai, que seccionadas e fendidas até um pequeno furo no centro do círculo feito com um arame quente, se atravessava curtos fios de algodão a servir de pavio; enquanto o toco de rolha posto a boiar no azeite sobre água era aceso dentro de copos coloridos, que queimando durante a noite, dado o baixo consumo de combustível pelo minúsculo pavio ou torcida (como o nominavam, também), iluminava o caminho para São Nicolau colocar nossos presentes nos respectivos ninhos feitos de barba-de-velho. 

     Para demonstração ao meu filho Arthur, confeccionei um exemplar, que exponho fotografias.

Lamparina acesa

Nesta foto dá para observar 
o azeite separado da água


Lâmina de rolha de cortiça

A amiga Micaela Santos, dos Açores, brindou-me com uma maravilhosa POSTAGEM no seu Blog OFICINA DA KAELA em que exemplifica essa tradição familiar. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

CINQUENTA ANOS DE ENGENHARIA CIVIL DA TURMA 1971

 

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

Deusa Minerva - Engenharia
Livro editado

    Escreveu o poeta Gonçalves Dias, na A CANÇÃO DOS TAMOIOS – “Não tema, que a vida é luta renhida, viver é lutar”. Ora, fora da atividade profissional, aposentado e olhando para trás, vejo o quanto lutamos, mas tudo aconteceu tão naturalmente, a parecer que as adversidades e peleias foram coisas banais, sem grandes esforços e não sentindo que a vida foi uma luta renhida, pois à juventude o embate é feito passeio prazeroso, apenas.

    Dia quatro de dezembro do ano corrente, a minha turma do curso de Engenharia Civil 1971, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS comemorará jubileu de ouro (cinquenta anos), a ser celebrado com missa em ação de graças, almoço festivo e outros eventos complementares aos encontros e atividades realizadas até então. Creio ser uma glória podermos vivenciar nossa conquista dizendo algo semelhante ao que disse o general romano Júlio César ao vencer uma guerra: “Veni, vidi, vici!” (Eu vim, eu vi, eu venci!).
    A prova de lutas, vitórias, percalços em eventos hilariantes, tensos e de júbilos da turma e de cada um, durante o curso e depois dele na vida profissional, foram objetos de meticulosa pesquisa, resgatados, catalogados e registrados em volumosa obra de um vibrante e esforçado colega, Vanderlan dos Santos Fraga que os registrou no livro editado FATOS, VIVÊNCIAS & HISTÓRIAS. (Muitas das histórias, escritas por quem vivenciou a sua própria façanha.) Aqui me permito abrir parênteses para cumprimentar o escritor e os seus colaboradores, com elogios, dado o trabalho de excelente qualidade – parabéns, amigo Vanderlan e aos seus!
    Quero homenagear colegas e mestres com um poema em décimas do cancioneiro Ibero-português, arremedando Gonçalves Dias em seus versos:


A CANÇÃO DOS FORMANDOS 



Se a vida é luta renhida,
Lutar não é tão penoso,
Visto que nos leva ao gozo
Da vitória pela vida
Planejada e concebida
Para empreender a conquista
Conforme o ponto de vista
Intrínseco que cada ser
Para poder obter
O objetivo que o dista.

Traçado o rumo e o destino
Singramos, a navegar
Em misterioso mar,
Sem bússola, mas pelo tino
Feito nauta peregrino.
Com procela, em rumo torto;
Com calmaria, em conforto.
Com tribuzana ou bonança,
Quanto mais a nau avança,
Distará, menos, o porto.

Por fim, o destino vem.
Atraca-se em seguro cais
Para os acertos finais
Daquilo que nos convém.
Mas viajamos além,
Já formados; sempre em luta, 
Com vontade absoluta
De vencer - vencer na vida
Com a profissão aprendida
Para exercer a labuta. 

Depois vem a sobrevida:
“A idade do condor” ...
Com dor aqui... - doa onde for...
Entre subida e descida
Evita-se a recaída
No caminho preparado
Por escolha ou pelo fado.
Importante é caminhar,
Mesmo andando de vagar
Tomando todo o cuidado. 

Viva a exata Engenharia,
Bem como os irmãos Maristas!
Viva as nossas conquistas!
E vivamos com alegria
Tendo a cabeça por guia
E o coração por amante
Da vida, para ir avante
Com muita fé e esperança
Dentro d'alma da criança
Do adulto itinerante!...

sábado, 30 de outubro de 2021

CENTO E UM ANOS DE ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS

     


MÁSCARA

Uma histórica lembrança
Ou um permanente adereço?
Estaríamos no começo 
De um novo tempo que avança
Para o caos e essa herança
Nós deixaremos ao mundo 
Como exemplo de um profundo
Desprezo ao meio ambiente
Profanado e que doente 
Deu-nos o vírus imundo?

 Dois mil e vinte foi um ano extraordinário para a Academia Catarinense de Letras, guardiã da língua portuguesa e fomentadora da literatura e da cultura do Estado de Santa Catarina, para as festas comemorativas, por ter completado seus cem anos de existência no dia 30 de outubro daquele ano, data coincidente com o ápice mais feroz do ciclo pandêmico causado pela COVID-19, sem que pudéssemos comemorar, mas muito ainda se fez na travessia do surto exacerbado da crise. Em dois mil e vinte e um, queremos comemorar esta data de hoje com luzes sobre nossa Academia triunfante surgindo do outro lado da pandemia (que começa a amainar pelas providências sanitárias), com diversos aleijões, notadamente perdas fatais de membros do nosso sodalício, contaminados pela Coronavírus. Porém, graças às providências da diretoria atual, que tem à testa o preclaro acadêmico Moacir Pereira, foi possível continuar nossas atividades e tomar providências do preenchimento de vagas sendo editada inscrições no Diário Oficial à convocação de eleições dos novos aspirantes às Cadeiras respectivas, em que em um só pleito foram eleitos cinco novos membros permanentes (donec ad mortem). Para tomarem posse, os cinco novéis Acadêmicos começaram a marcar suas respectivas solenidades de posses, imediatamente. É com prazer que nominarei aqui os eleitos: Cadeira 4 – Rudney Otto Pfützenreuter; Cadeira 7 – Kátia Rebello: Cadeira 12 – André Ghiggi Caetano da Silva; Cadeira 22 – Umberto Grillo; Cadeira 25 – Maria Tereza Fiuza Lima Mascarenhas Passos. 

No ano de 2020, mesmo com a terrível pandemia a diretora anterior, presidida pelo ilustre professor e poeta acadêmico Pinheiro Neto, muito foi feito para enaltecer a centenária Academia Catarinense de Letras, como lançamento de um selo postal comemorativo pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos estampando o logotipo da ACL; a composição de um hino em comemoração ao centenário, com letra do vate acadêmico Artêmio Zanon, experto nessa arte, em produção de diversos hinos institucionais para municípios catarinenses. Foram também confeccionadas máscaras de proteção contra a contaminação do Coronavírus com o referido logotipo, bem como outros eventos se realizaram com a participação presencial de reduzido público, conforme recomendação sanitária. Em consequência, institucionalizou-se as sessões virtuais pela internet, já com a nova diretoria. 

Exaltemos, pois, nossa Academia Catarinense de Letras e a arte literária. 

 

A ARTE LITERÁRIA
Autor: Laerte Tavares

Deus deu ao humano ser certo talento
Para fazer da pedra bruta a arte
Na qual houvesse a mais singela parte
Do divinal ao humano sentimento.

Entre bruto e beleza existe um elo
Que é o divino; e a humana criatura,
A pedra bruta, pega e a transfigura
Em objeto de arte que é o belo.

Chama-se verbo, o invisível ente
Que guia o escritor e ele o sente
Por uma divina graça que apura

O pensamento vago em uma corrente
Vinda do além – é a luz resplandecente
Da arte expressa na literatura!

domingo, 26 de setembro de 2021

PRIMAVERA

 


Chegou a primavera, colorida,

Pondo em minha alma poesia e flores. 

Potencializou meu coração com amores 

Exacerbados que eu trago na vida. 

 

Com o que eu amo a nobre e querida 

Mulher e amante em graça e louvores,

Fez paixão pura de superiores 

Desejos cárneos, na união vivida.

 

Fez esse amor em flor de primavera:

Da vulva, um gineceu; do membro, antera 

A levar pólen à fecundação.

 

Do gozo e orgasmo, fez suprema e vera

Sublime sensação de uma espera

A transcender  o prazer vero e vão. 


Ocasião em que Laerte Tavares recebe das mão de Ernesto Ordovás o livro relativo ao jubileu de ouro dos cinquenta anos de formandos em engenharia civil em 1971 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - Porto Alegre RS, em que Laerte foi um dos formandos e que compôs um poema constante da obra.


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

ANITA GARIBALDI

 Comemora-se no dia trinta do corrente mês o Bicentenário de Anita Garibaldi – a heroína de dois mundos.

   

Anita na Fonte – obra do
catarinense Martinho de Haro.
Acervo do Museu Casa de Anita

 

ANITA

Na praia uma linda flor
A bela orquídea imita.
Porém muito mais bonita
Dado o matiz multicor.

Um nauta navegador,
Com lentes, busca a infinita
Visão. Vendo a flor Anita
Jura-lhe um eterno amor.

Saltando em terra, o guerreiro
Inala da flor o cheiro
Quando a fragrância a ilumina.

Como esposa e companheira,
Anita fez-se a guerreira
De dois mundos – a heroína.
*Por Laerte Tavares



Obra contemporânea em homenagem ao bicentenário da heroína Anita Garibaldi, de autoria do genial artista da arte literária e pictórica Umberto Grillo, Desembargador Federal, escritor que enalteceu, em obra literária esmerada, a vida do cofundador de nossa centenária Academia Catarinense de Letras, Othon da Gama Lobo D’Eça que, junto a  José Boateaux e outras figuras ilustres, criaram nosso Sodalício.




Anita Garibaldi – obra do artista genovês                       Anita, obra do pintor catarinense Willy 
Gaetano Gallino. Ano de 1845 na cidade                                                   Zumblick
                  de Montevidéu


       Uma amiga portuguesa me perguntou quem foi Anita Garibaldi. Respondi ser uma brasileira catarinense de nome Ana Maria de Jesus Ribeiro, que viveu na primeira metade do século XIX, considerada “heroína de dois mundos”, por lutar na América do Sul e na Europa. No Brasil lutou pela Revolução Farroupilha e no Uruguai contra as tropas argentinas que visavam controlar o comércio no Rio da Prata. Já na Itália, seu grande feito foi lutar pela unificação do país, combatendo ao lado do companheiro Giuseppe Garibaldi, também consagrado herói.
    Ana, para o mundo, ficou conhecida como Anita, devido à dificuldade de pronúncia de Garibaldi que assim a tratava. A jovem guerreira atuou efetivamente nos movimentos revolucionários a diferentes países: Brasil, Uruguai, San Marino e Itália. Exemplo de bravura que motivou os italianos na busca pela unificação do país.
    À época de Ana, a atividade comercial do Estado de Santa Catarina era insipiente, mas seus entrepostos marítimos contavam com o Porto de Laguna (cidade que serviu de marco territorial ao Tratado de Tordesilhas), movimentado com o comércio terrestre e marítimo. Duzentos quilômetros distantes dali, em altitude a cerca de 900m, situava-se o município de Lages, com seus vilarejos circunvizinhos no Planalto Serrano, onde predominava a atividade agropecuária. O transporte de mercadorias, a exemplo do sal e dos produtos industrializados, como lampiões, enxadas e outros artigos, eram levados à serra. Já o charque, pinhão, canjica, fubá, jacás de fumo em corda, enchidos defumados, toucinho salgado e torresmo, iam de Lages para o litoral; mercadorias  essas, transportadas nos seirões (grandes cestos oblongos atrelados às cangalhas) sobre lombos de muares e asininos, dado o caminho íngreme, acidentado, possível apenas para animais de cargas ou cavalo de montaria individual que, além da sela encilhada, levava à garupa nos peçuelos (espécie de dois alforjes – um de cada lado das ancas do animal em couro curtido) roupas e utensílios pessoais, sobreposto à presilha do laço (em tentos de couro cru tramados) ou do sovéu (fino e curto laço grosseiro em três tentos de couro cru torcidos – tipo corda). Demais ferramentas, alimento e roupas iam nas bruacas (grandes malas retangulares – uma de cada lado da cavalgadura, em couro cru, costuradas à mão com tentos de couro cru), transportadas por animais cargueiros.
    Ana nasceu de pais tropeiros – talvez até em uma dessas tropeadas, num trecho do caminho entre as duas cidades, enquanto conduziam uma tropa de bovino a Laguna para uma feira pecuária. É fato que, desde menina, ela acompanhava os progenitores nas jornadas, tornando-se exímia amazona nas lidas das tropeadas.
    Ainda adolescente, Ana se casa com um morador de Laguna, tamanqueiro por profissão, cujo enlace pouco durou devido às diferenças de gênios, culturas e costumes. Com a separação do casal, ela passa a morar com parentes, enquanto ele se alista na Guarda Nacional do Império, que lutava contra a revolta republicana, que veio a se instalar na região sul do Brasil. Ao conhecer o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, decidida, Anita se junta às suas tropas contrárias ao Império, surpreendendo a todos pela denodada bravura em combate. Ao tempo em que viveu com Garibaldi, ela se superou nas batalhas, lutando até seu último instante de vida.

Obs.: um relato curioso narrado pelo senhor Jacinto Bagio, 94 anos, quanto ao transporte de mercadorias à época. Isso ilustra a vida campeira daquele tempo, transportando porcos: 
(Fonte: Vídeo – Rádio Guarujá)


                                                      
    Alegoria da Revolução –                                           Anita, Anita, pelo artista brasileiro
óleo sobre papel sobreposto a cartão;                       Galdino Guttmann Bicho, 1919
de Johann Moritz Rugendas, 1846-48




ANA MARIA

Do grande amor de um tropeiro
E de um cavalgante ventre,
Entre equinos, gado e entre
Jornadas sem paradeiro,
Ana de Jesus Ribeiro
Nasceu; e um certo retardo
Foi feito para o resguardo.
Pra mãe não ficar sozinha,
A comitiva inteirinha 
Parou também no aguardo.

Depois de uns dias passados
De repouso e muito zelo
Reuniram o sinuelo
Com o gado, dos dois lados
Da via. Já encilhados
Os cavalos, mulas cargueiras
Carregadas e pelas beiras
Da sinuosa estrada
Iniciaram a jornada,
Atrasados para as feiras.

Ana de Jesus Ribeiro,
Apelidada de Aninha,
Das veias paternas tinha
Bons dotes de cavaleiro
Herdados do pai boiadeiro,
Visto que desde menina
Foi a criança ladina
Que aprendeu cedo e seria
Melhor que ele em montaria
Por ter bem mais disciplina.

Um dia, em pelo, ao cavalo
Sem sela e só barbicacho,
Aninha enfrentou um macho
Atrevido e, ao surrá-lo
Ele cai dentro de um valo
E quase perde sua vida.
Mas Ana o socorre em lida
Sozinha, essa heroína,
Adolescente menina,
Tornando-se bem conhecida.

Contam que a moça, a trote
Ligeiro, de erguido relho,
Correu atrás do fedelho
Por entender ser preciso
Que ele tomasse juízo.
O moço, em disparada
Zarpou. À margem da estrada
O cavalo tropeçando
Derruba o jovem. Foi quando
Ana o livra da enrascada.

Esse, o primeiro feito
De denodo e valentia
Da rapariga, que iria
Levar-lhe a um conceito
De nobreza por seu jeito
Altruístico e de valor,
Perdoando o pecador
Mas condenando o pecado,
Pelo tratamento dado 
A um filho do Criador.
*Por Laerte Tavares


Selos postais     

   
                                                                     Anita com seu chapéu de feltro 
                          (calabrês) com penacho


    *Em alguns registros, autores destacam a importante participação feminina, mesmo que indiretamente, na Guerra dos Farrapos. Diversas mulheres assumiram os negócios da família enquanto seus maridos e filhos lutavam na guerra. Outras, na maioria índias, anônimas em relação à Anita, acompanharam seus maridos nos campos de batalha. Muitas delas tomavam conta das pontas de gado, da munição, tratavam os feridos e algumas até pegavam em armas na defesa contra o inimigo.



Anita, (obra) morte ocorrida em Mandriole, Itália. Instante em 
que as tropas garibaldinas fugiam das tropas suíças. Acometida 
por uma crise de febre tifoide, Anita falece em 4 de agosto
de 1849, grávida de cinco meses do quinto filho.



Giuseppe Garibaldi – retrato Risorgimento 
italiano, Duroni,  Alessandro; Pozzi, T. A.
Collocazione: Lovere (BG), Accademia
di Belle Arti Tadini. Museo Cassioli
Pittura senese dell'Ottocento


Narrativa escrita por Garibaldi, entregue ao 
seu amigo e admirador Alexandre Dumas (pai), 
que publica no final de 1860. 

 

 

Monumento em homenagem à Anita Garibaldi,
na cidade de Laguna, SC


Monumento no Janículo, em Roma,  Itália. (obra de Mario Rutelli). 
Retrata Anita, quando da passagem em que fugia carregando 
o filho Menotti, de 12 dias,  ao serem atacados em São Luís das 
Mostardas/RS em setembro de 1840


Letra para o hino em homenagem à heroína - 1915.
Material referente ao “Levantamento Bibliográfico, Anita Garibaldi. 
Pesquisa realizada nos Jornais Catarinenses da Biblioteca Pública 
de Santa Catarina, disponíveis na Hemeroteca Digital Catarinense 
e Hemeroteca Digital Brasileira (1889 – 1968).” 
Organizado por Helen Moro de Luca 





Lanchão, suspenso sobre rodas atrelado a juntas de
bois – carregado até o rio Tramandaí-RS

 


Varais com charque (carne-seca) – Rio Grande do Sul. Fonte: GZH/RS
 
O charque do Rio Grande do Sul abastecia o mercado interno, mas com os 
altos  tributos sobre o sal, o couro bovino mais o charque (alimento 
principal dos escravos), gerou a insatisfação entre os estancieiros. As altas 
taxas  teriam levado os produtores gaúchos a lutar pela independência 
 do estado em relação ao governo central,  o que motivou os conflitos. 
Os farroupilhas  almejavam uma República Federativa permitindo
 autonomia às leis,  para a economia local.


ANITA GARIBALDI - (1821-1849)
"A Heroína de Dois Mundos"-
Documentário – Anita Garibaldi / Amores e Guerras:


Pergunta que não cala e insistente,
Mas sempre sem razão: Quem foi Anita?
Respondo ser um ente que gravita
À frente do seu tempo – muito à frente!

Exímia em equitação, sóbria e valente
Era a bela donzela e esquisita
Fera indomável e arisca que habita
A selva virgem, solta e independente.

Quando acuada, mostrava quem era.
Punha de fora as garras  de pantera
A incendiar o mundo, a leve chama.

E essa indomável peregrina fera
Se fez universal, em atmosfera
De guerra heroica, a heroína dama.