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sábado, 7 de dezembro de 2019

NATAL É TEMPO DE LUZ



O adulto é o menino que ele foi até aos sete anos de idade. À época do Natal essa constatação me aflora à alma e inunda o meu espírito da luz dessa verdade. Verdade transposta ao ser como uma tempestade de sentimentos que oscilam em uma vibração senoidal  de paz, culpa, regozijo festivo, luz do real, sonho, saudade, solidão, comemorações fraternais e até certa angústia por não poder restabelecer minha infantilidade. Isso porque me assedia um certo sentimento de culpa em ter traído aquele antigo menino; ao deixá-lo abandonado ao tempo e eu, percorrido sozinho, um caminho anacrônico ou atemporal que conduzia à maturidade. Dá vontade de lançar a ele um salva-vidas atado a uma corda, para resgatá-lo da imprecisão do que sonho; mas um raio de luz, na tal tempestade cérebro-sentimental, me confunde e ele estiola no meu pensar a me levar ao devaneio. Retorno à realidade com o sentimento do amor carente – aquele amor que do espírito emana para amar e a razão do ser quer recebê-lo por carência afetiva, própria do adulto – a eterna criança.
Mas, qual o mundo do menino que leva este adulto à “brain storm” (chuva de ideias – tempestade cerebral)? Seria o mundo do ritual natalino à época da sua infância, como, principalmente, o mundo dos ternos de reis – tradição portuguesa; e o da confecção dos ninhos com barba de velho e flores, onde o Bom Velhinho depositava os presentes de Natal às crianças. E a tradição dos ninhos perdeu-se no tempo entre toda a gente – ninguém mais usa esse rito que revive tanto em mim e me revive a alegria que o Natal traz à alma. Minha esposa fez-me uma réplica ao nosso filho Arthur quando criança, para um agrado a mim e uma lição aos dois meninos – filho e pai.
Posto foto do que seria um Ninho do Natal – receptáculo dos presentes natalinos às crianças; e um pequeno poema natalino.
Obs: em época de um Natal passado postei matéria semelhante e mais explicativa – olhem!

NATAL

Eu sou a criança, aquela
Que fui quando era menino,
Tendo tangente o divino
Na alma augusta e singela.

Em minha mente, a procela
 Cerebral, tira-me o tino,
Porém, o antigo ensino
Do que é Natal se revela.

E assim eu sinto o Natal
Do infante sentimental,
 Dentro da alma, unicamente,

Como o mais transcendental
Fenômeno espiritual
Que diviniza alma e mente.

 Confecção do ninho natalino com barba de velho e flores da época



Colocação do ninho em frente a lareira da casinha de praia,
à espera dos presentes de Natal



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

ÁTILA ALCIDES RAMOS - O ARTISTA


Este espaço literário está no momento, a guinar em direção à cultura da Ilha d’ídílios, por oportunidade dos ventos favoráveis a tantos interesses de resgates da nossa rica História. Referi-me ao Rodigo de Haro e ora referir-me-ei a outro grande artista de nossa terra, o engenheiro e historiador ilhéu Átila Alcides Ramos, meu amigo fraterno, que além do mais, é pintor. Átila estuda quatro vertentes específicas da história da Ilha de Santa Catarina – Cinema, Saneamento Básico, Carnaval e Vida Marinheira dos Habitantes.
Em seu livro CINEMA DE FLORIANÓPOLIS, narra que no dia 28 de dezembro 1895, no Salon des Indiens do Grand Café, no Boulevard des Capucines, em Paris, acontecia a primeira apresentação pública oficial do cinematógrafo. E na Ilha de Santa Catarina em 21 de julho de 1900 houve a primeira apresentação dessa arte (da internet à caravela há distância...) e em 1908 inauguram o primeiro cine com exibição de Figarot da ópera de Rossini O Barbeiro de Sevilha. Após isso o cinematógrafo torna-se familiar na Capital Catarinense.
Ora decorreremos sobre vocação marítima da Ilha e o seu desenvolvimento  pela navegação, pois “quem puxa aos seus não degenera” – dizia minha mãe que “nasceu analfabeta”, e se alfabetizou. E assim a ilha dos silvícolas marinheiros que ganhou o reforço dos marujos portugueses não poderia ter destino mais glorioso que o mar e portos de grandes e famosos navegadores antigos.
Ao empreendedorismo moderno, recebemos o sangue alemão de  Brandemburgo, na pessoa de Carl Franz Albert Hoepcke que chegou a Blumenau 1863, e evoluindo comercial e economicamente se estabeleceu em Florianópolis onde constituiu um império terrestre e marítimo. Quando o mundo começou a usar a máquina a vapor, nossa ilha também a usava nos navios do senhor Hoepcke que armou uma extraordinária frota de navios mercantes e de passageiros.
Átila reproduziu essas embarcações em acrílico sobre tela e os descreve com maestria, cujas fotografias das obras que os representam, aqui postamos para ilustrar o quanto esta ilha sempre foi pujante.
E para não afastarmos o lado literário, vai aqui um pequeno poema: 

MAR D’IDÍLIOS 

Tu que nasceste no mar,
Oh ilha, és marinheira,
Mas lembra: estás à beira
Do continente, o teu lar!

A terra foi teu lugar
De construção – na carreira
Do estaleiro, à maneira   
Destinada a navegar.

E sendo de almas iguais
Teus povos; com ideais
Afins à navegação,

Silvícolas e portugueses
Fizeram o mar, muitas vezes,
De pátria, pois dele, são.

LIVRO DO ARTISTA ÁTILA

ÁTILA RAMOS - NAVIO CARL HOEPCKE  

ÁTILA RAMOS - NAVIO ANA - NA CARREIRA DO ESTALEIRO ARATACA 

ÁTILA RAMOS - NAVIO ANA - NA CARREIRA DO ESTALEIRO ARATACA

ÁTILA RAMOS -
NAVIO META SINGRANDO EM PARANAGUÁ - PARANÁ

ÁTILA RAMOS - NAVIO MAX - EM LAGUNA / SANTA CATARINA

FOTO DO CAIS E ESTALEIRO ARATACA DE PROPRIEDADE DA HOEPCKE 

FOTO DE CARL FRANNZ ALBERT HOEPCKE  

FOTO DO NAVIO CARL HOEPCKE  

 EIS O ARTISTA - ÁTILA  RAMOS

Átila Ramos junto a pintura de sua autoria. Foto de CrissMelo