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sexta-feira, 24 de junho de 2022

VIVA O DIA DE SÃO JOÀO E A FLORBELA ESPANCA


    Fã que sou de Florbela Espanca e devoto por sua arte em composições de sonetos, fiz uns versinhos à memória de tão extraordinária poeta na precisão de seus versos, revelando ao mundo mais um grande talento luso, consagrado e que, por outros, se vai consagrando em Camões, Bocage, Sá de Miranda, Florbela, Fernando Pessoa e tantos outros que há e que hão de vir, pois Portugal é berço e silo de profusões dos artistas da poesia. O meu lado ibérico-português cancioneiro e por ancestralidades da cidade do Porto e dos Açores buzinam ou latejam em minha memória com décimas; trovas; quadrinhas ao gosto popular; despiques; prosas poéticas portuguesas e até mesmo com músicas do folguedo folclórico tradicional português que me são evocados pela alma, jogando-me à fogueira de São João ao ouvir músicas juninas agora, em seu dia e que me fazem mais humano e saudosista. Amo Portugal e a sua cultura, da qual herdei um pouquinho e dou testemunho sem contributo por minha enorme pequenez como versejador que faz este arremedo de soneto:



FLORBELA ESPANCA
Autor: Laerte Tavares

Das belas flores foi a flor mais bela
E mais sublime, do luso jardim
Que floresceu sem ser rosa ou jasmim
Por transcendente, augusta e tão singela.

Nasceu mítica espécie sendo ela
Planta trazida por um querubim
Que veio à Terra e a transplantou assim
Segundo dogma que Deus lhe chancela.

De um sacrossanto caule fez-se a flor
Magnífica, tanto em brilho ou cor,
Que Apolo a elege como a predileta.

Mas quando a flor se fez em luz e amor,
Desceu dos céus um anjo de esplendor
E colheu Florbela, a Deus, nossa poeta.

sábado, 21 de maio de 2022

PROFECIA

 

IMAGEM FONTE INTERNET


Profecia


O que viu Dom Bosco?

    Para não dizerem que eu não faço nada, irei fazer a minha profecia: O QUE VIU DOM BOSCO. Eis:
    Quando adolescente fui estudante em um colégio Salesiano, no regime de internato, e o tempo inteiro vivíamos sob a batuta dos padres dessa Congregação Salesiana instituída pelo italiano Dom Bosco. Além do latim e outras línguas, estudávamos as matérias científicas e as de conhecimentos gerais. Dado o tempo integral, nos recreios prevaleciam os esportes e os indivíduos, em grupinhos, contavam piadas e histórias de todos os matizes. Mas, a história que mais me marcou foi a do Pecado Mortal (apelido de um menino da turma, por ser o mais carola ou beato, porém forte e valente a impor respeito, possível requisito a ser escalado pelos padres para tocar o sino nos horários determinados às nossas obrigações diárias).
    O Pecado Mortal, de olhos azuis incisivos e penetrantes, qual nome germânico não recordo, contava-nos que em um dos sonhos proféticos de Dom Bosco apareceu-lhe certo anjo representado em rapaz moderno muito elegante e educado que o conduziu, em sonho, por toda a América do Sul, entrando pelo Extremo Sul da Patagônia e subindo em direção à linha do Equador. Detiveram-se, porém, no Planalto Central do Brasil, quando lhe disse o moço – esta é a terra prometida como a Capital do Mundo para onde Deus mandará um Anjo Guerreiro, não sendo Miguel Arcanjo, o qual com sua espada consagrada baterá no chão e dele brotará mel para suprir as Nações da Terra que o solicitarem ao Brasil!
    Coincidentemente, na época em que ouvimos tal história estavam construindo Brasília em pleno Planalto Central do Brasil, hoje Capital Federal; e o menino narrador dizia-nos ter ouvido de nosso confessor, um padre alemão, velhinho, que na Segunda Guerra Mundial serviu como capelão no Exército nazista, que o lugar profetizado por Dom Bosco seria Brasília. Aquela história calou fundo na memória deste adolescente envelhecido, tanto, que nunca a esqueci. O tempo passou e a historinha da carochinha ou do Pecado Mortal ficou-me ridicularizada em lugar modesto do cérebro.
    Agora, acendeu-me o sinal de alerta. Depois de lembrar que Deus é brasileiro, segundo à crença, e de um jogador de futebol confirmar que jogou na terra de Jesus, Belém (do Pará), li uma crônica que dizia ser o Brasil o país dos homens deslumbrantes. Aqueles que por seus encantamentos deslumbram o mundo. Isso, desde os indígenas componentes da formação do Exército Brasileiro, que por seus atos de bravuras pasmaram o mundo. Vem depois, José Bonifácio, estadista, poeta e conselheiro do Príncipe Regente no Brasil Império. Dom Pedro II, um intelectual de escol que deslumbrou os quatro cantos da Terra; Barão do Rio Branco, diplomata – indivíduo que negociou as demarcações de nossas fronteiras, amigavelmente, com os vizinhos, sem conflito algum; Rui Barbosa, o intelectual paraibano que sustentou, em língua inglesa, na Corte Internacional de Haia, a tese da força da lei prevalecer sobre o direito da força, e venceu em favor do Brasil, com a tese da força da lei. Também, Osvaldo Aranha, ex-presidente da ONU – estadista maior que em assunto espinhoso prevaleceu o seu conceito de direito, mediando conflitos entre povos e criando o Território de Israel; o padre voador Bartolomeu de Gusmão e Alberto Santos Dumont, dois inventores extraordinários, cada um no seu tempo. Para pessoas da minha época exemplifico com os astros brasileiros: Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, meu inesquecível ídolo paranaense – o Anjo de Hamburgo, heroína que durante a segunda Guerra Mundial conseguiu salvar diversos Judeus das garras nazistas e encaminhá-los para o Brasil, Pátria acolhedora; Tom Jobim, compondo músicas a deixar os estrangeiros com água na boca; Pelé que encantou o mundo do esporte; Fittipaldi e Ayrton Sena, dois ases do volante que deixaram o mundo de boca aberta. Grandes foram esses brasileiros que encantaram o mundo e que orgulham a Nação Brasileira por suas competências e altivez.
    – E, o sonho, amigo?
    – Ah, o sonho...
    Comecei a pensar no maluco de relho em punho e erguido imitando Cristo, a expulsar os vendilhões do templo. Não vou dar o nome do messias para não me comprometer, mas o sargentão, casca-grossa ou pelo duro, não teme o diabo tal a São Miguel Arcanjo que o derribou. Já imaginaram se o maluco vence o capeta e bota o feio de acne mandando em São Paulo? São Pedro há de olhar lá de cima e não crer. E se o feio fizer bonito e tomar o lugar do maluco nas próximas de 2025?... Irá jorrar mel em Brasília – venda de alimentos para o resto do mundo, visto que o país dos irmãos do norte, dado o atual presidente que tem, está crescendo como cola de cavalo; os de olhos fechados que começaram a abri-los agora, já comem da mão do Brasil... E, guerra nuclear, já era. Os homens estão chegando para abortar qualquer tentativa nesse sentido que desestabilize o nosso sistema solar; para que não interfira no equilíbrio do sistema estelar deles. A minha profecia é que temos o maluco, do qual daqui a algum tempo, dirão ter sido ele o redentor que plantou para, em época futura estar o Brasil a alimentar o Planeta Terra. E agora, dada a alta demanda de alimentos no mundo, com a FAO solicitando que o Brasil produza-os mais; e com Elon Musk no seu foguete espacial na cauda do Brasil, quem sabe se o país decolará rumo ao desenvolvimento pleno. E, o maluco, será o redentor?

Duzentos anos de Independência - Hino
(presente enviado por meu dileto amigo Maestro Zezinho)

quinta-feira, 5 de maio de 2022

CINCO DE MAIO – DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

IMAGEM WEB

“Inculta e bela”, doce língua de diversos

Povos que a falam com muita altivez.  

Língua amada do povo português,  

Como Camões, que a usou em vários versos. 

                               

Homenagem ao Dia Mundial da Língua Portuguesa e a Olavo Bilac:


LÍNGUA PORTUGUESA

                                Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!



sábado, 19 de fevereiro de 2022

REFLEXÕES DAS SAUDADES

 

Marcos José Konder Reis
Fonte - Itajaipedia

Poema de MKR  - A MINHA SEPULTURA


Convidado a apresentar, em prefácio, uma obra póstuma de um colega engenheiro amigo, diplomata, escritor e poeta Marcos José Konder Reis, para ser lançada no ano corrente nas comemorações ao seu centenário em nossa terra natal, Itajaí SC, dei-me conta do dinossauro que sou, fazendo-me refletir sobre a existência humana:

O TEMPO PASSSA
Autor – Laerte Tavares


O tempo passa e passando,
Um dia é dia de ir,
Mas pensemos no porvir
Do nosso plano! Até quando?


Nossa nau de pano pando
Crê em não submergir
Rumo a um porto; e a seguir
Com a gente ao timão guiando.


O importante na vida
É não pensar na saída.
Deixa pra depois de morto.


Singremos de vela erguida
Em busca de uma guarida
No tal ansiado porto!

******


    O segredo para não pensar em saída, é o amor. Amar com toda a ternura e dedicação, sentindo que vivemos loucos de prazer em amar por determinação da vida, pois nascemos do amor, pelo amor e para o amor. E Deus é Amor! Sonhar, vivenciando o doce amor que enternece, ilumina e reanima; em qualquer natural percalço, o amor nos conforta, ampara e alivia a dor. Por isso canto o amor e, por humano, canto o humano ser que amo.

TEU CORPO É POESIA
Autor – Laerte Tavares

 

Teu corpo é poesia. É sonho que me seduz.
É porto virginal, sereno e perto,
Que aportei quando ainda deserto.
Teus olhos são farol de intensa luz.


A minha nau, em sonho, me conduz
A navegar por oceano aberto,
Em rota desejada e rumo certo,
Ao porto de teus braços seminus.


O cais de atracação é a nossa cama.
Tudo se torna amor, quando se ama,
E a alma ganha luz superior.


Toco teu corpo e se acende a chama.
Todo o ardor sublime se derrama
Entre os dois corpos nus, plenos de amor.

******


    Um pouco de loucura também ajuda a sermos felizes e a não pensarmos que findamos.

NO VINHO HÁ A VERDADE
Autor – Laerte Tavares

Bebo o vinho da loucura
Erguendo bem alto a taça.
Se o tempo passa ou não passa
Postergo à data futura

Para pensar e, à altura,
O meu pensar ultrapassa
O futuro, com a graça
De uma visão baça e escura.

Depois de turvada a mente
O meu ser ébrio se sente
Semicego – um aprendiz.

E o aprendiz simplesmente,
Por ser ingênuo, é um crente
Ser ente eterno e feliz.


******
 
    Por último, eu recomendaria a fé e a esperança. Esperançar a esperança não é redundância gramatical e nem redundância real. Se há em nós um resquício de esperança, ao estimularmos o resíduo esquecido, com fé, a esperança agiganta-se para a realização de seu sonho ou plano:


NÓS FIZEMOS UM PLANO E DEUS OUTRO

Autor – Laerte Tavares


Pois, a cada nova manhã 

Nasce uma nova esperança.

Quando o Sol, a aurora, alcança 

Não deixa a alvorada vã.

 

Traz uma energia sã

Que estimula a bonança, 

E na atmosfera lança 

Luz à vida e à fé cristã.

 

E se a fé remove montanha, 

Traz esperança que ganha  

Um Iluminismo risonho.

 

Determinado, a sanha 

De vencer, faz-se tamanha 

Que a Luz realiza o sonho.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

NATAL E MINHAS REMINISCÊNCIAS DA INFÂNCIA


Sempre que chega dezembro
Se projeta em mim a infância
Dada a saudade; a distância
Encurto e, ora, lembro
Ser, da família, um membro
Da atenção de um presente
Para o meu ser inocente
Que tinha contentamento
Durante todo o Advento
Do Natal, no dia e à frente.

Sentia uma força viva
Para também presentear
Os de fora e os do lar,
Mas mamãe, persuasiva,
Iludia-me com a evasiva
De que seria o advento,
O tempo do cumprimento
Com votos às boas festas
A todos. – "E bastam estas
Atenções!" Foi-me o escarmento: 

Desejo a todos, e a cada um em particular, um Sacrossanto Natal festejando o Menino que veio para saciar a fome do espírito e alma com o sagrado Pão Eucarístico que Jesus viria, um dia, a consagrar. E, da mesma forma, votos de um Feliz Novo Ano para mitigar a sede do corpo e da mente dos mais recônditos desejos reprimidos pela pandemia prolongada, mas não finda ainda, à celebração da vida em festa de Réveillon e a  cada momento do novo ano. 

Laerte Tavares.  

    Ainda, sobre reminiscências de infância, lembro que para enfeitar a noite natalina, fazíamos lamparinas com lâminas de cortiça de rolhas de vinho, do meu pai, que seccionadas e fendidas até um pequeno furo no centro do círculo feito com um arame quente, se atravessava curtos fios de algodão a servir de pavio; enquanto o toco de rolha posto a boiar no azeite sobre água era aceso dentro de copos coloridos, que queimando durante a noite, dado o baixo consumo de combustível pelo minúsculo pavio ou torcida (como o nominavam, também), iluminava o caminho para São Nicolau colocar nossos presentes nos respectivos ninhos feitos de barba-de-velho. 

     Para demonstração ao meu filho Arthur, confeccionei um exemplar, que exponho fotografias.

Lamparina acesa

Nesta foto dá para observar 
o azeite separado da água


Lâmina de rolha de cortiça

A amiga Micaela Santos, dos Açores, brindou-me com uma maravilhosa POSTAGEM no seu Blog OFICINA DA KAELA em que exemplifica essa tradição familiar. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

CINQUENTA ANOS DE ENGENHARIA CIVIL DA TURMA 1971

 

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

Deusa Minerva - Engenharia
Livro editado

    Escreveu o poeta Gonçalves Dias, na A CANÇÃO DOS TAMOIOS – “Não tema, que a vida é luta renhida, viver é lutar”. Ora, fora da atividade profissional, aposentado e olhando para trás, vejo o quanto lutamos, mas tudo aconteceu tão naturalmente, a parecer que as adversidades e peleias foram coisas banais, sem grandes esforços e não sentindo que a vida foi uma luta renhida, pois à juventude o embate é feito passeio prazeroso, apenas.

    Dia quatro de dezembro do ano corrente, a minha turma do curso de Engenharia Civil, 1971, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS comemorará jubileu de ouro (cinquenta anos), a ser celebrado com missa em ação de graças, almoço festivo e outros eventos complementares aos encontros e atividades realizadas, até então. Creio ser uma glória podermos vivenciar nossa conquista dizendo algo semelhante ao que disse o general romano Júlio César ao vencer uma guerra: “Veni, vidi, vici!” (Eu vim, eu vi, eu venci!).
    A prova de lutas, vitórias, percalços em eventos hilariantes, tensos e de júbilos da turma e de cada um, durante o curso e depois dele na vida profissional, foram objetos de meticulosa pesquisa, resgatados, catalogados e registrados em volumosa obra de um vibrante e esforçado colega, Vanderlan dos Santos Fraga que os registrou no livro editado FATOS, VIVÊNCIAS & HISTÓRIAS. (Muitas das histórias, escritas por quem vivenciou a sua própria façanha.) Aqui me permito abrir parênteses para cumprimentar o escritor e os seus colaboradores, com elogios, dado o trabalho de excelente qualidade – parabéns, amigo Vanderlan e aos seus!
    Quero homenagear colegas e mestres com um poema em décimas do cancioneiro Ibero-português, arremedando Gonçalves Dias em seus versos:


A CANÇÃO DOS FORMANDOS 



Se a vida é luta renhida,
Lutar não é tão penoso,
Visto que nos leva ao gozo
Da vitória pela vida
Planejada e concebida.
E o objetivo que dista, 
Conforme o ponto de vista
Intrínseco de cada ser,
Pode-se, então, obter
Lutando para a conquista.

Traçado o rumo e o destino
Singramos, a viajar
Em misterioso mar,
Sem bússola, mas pelo tino
Feito nauta peregrino.
Com procela, em rumo torto,
Na calmaria, em conforto,
 Mas quer com vento ou bonança,
Quanto mais a nau avança
Distará menos, do porto.

Por fim, o destino vem.
Atraca-se em seguro cais
Aos acertos finais
Daquilo que nos convém.
Mas viajamos além,
Já formados; sempre em luta, 
Com a vontade absoluta
De vencer – vencer na vida
Com a profissão aprendida
Para exercer a labuta. 

Depois vem a sobrevida:
“A idade do condor”:
Dor aqui...  ou  onde for...
Saúde ou dor, vai-se à lida
Evitando a recaída,
Cauteloso e preparado
Pelo costume ou por fado.
Importante é caminhar,
Mesmo andando de vagar
Tomando todo o cuidado. 

E viva a exata Engenharia!
Bem como os Irmãos Maristas!
Viva as nossas conquistas!
E vivamos com alegria
Tendo a cabeça por guia,
O coração por amante
Da vida, para ir avante
Com muita fé e esperança
Dentro d'alma da criança
Do adulto itinerante!...

sábado, 30 de outubro de 2021

CENTO E UM ANOS DE ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS

     


MÁSCARA

Uma histórica lembrança
Ou um permanente adereço?
Estaríamos no começo 
De um novo tempo que avança
Para o caos e essa herança
Nós deixaremos ao mundo 
Como exemplo de um profundo
Desprezo ao meio ambiente
Profanado e que doente 
Deu-nos o vírus imundo?

 Dois mil e vinte foi um ano extraordinário para a Academia Catarinense de Letras, guardiã da língua portuguesa e fomentadora da literatura e da cultura do Estado de Santa Catarina, para as festas comemorativas, por ter completado seus cem anos de existência no dia 30 de outubro daquele ano, data coincidente com o ápice mais feroz do ciclo pandêmico causado pela COVID-19, sem que pudéssemos comemorar, mas muito ainda se fez na travessia do surto exacerbado da crise. Em dois mil e vinte e um, queremos comemorar esta data de hoje com luzes sobre nossa Academia triunfante surgindo do outro lado da pandemia (que começa a amainar pelas providências sanitárias), com diversos aleijões, notadamente perdas fatais de membros do nosso sodalício, contaminados pela Coronavírus. Porém, graças às providências da diretoria atual, que tem à testa o preclaro acadêmico Moacir Pereira, foi possível continuar nossas atividades e tomar providências do preenchimento de vagas sendo editada inscrições no Diário Oficial à convocação de eleições dos novos aspirantes às Cadeiras respectivas, em que em um só pleito foram eleitos cinco novos membros permanentes (donec ad mortem). Para tomarem posse, os cinco novéis Acadêmicos começaram a marcar suas respectivas solenidades de posses, imediatamente. É com prazer que nominarei aqui os eleitos: Cadeira 4 – Rudney Otto Pfützenreuter; Cadeira 7 – Kátia Rebello: Cadeira 12 – André Ghiggi Caetano da Silva; Cadeira 22 – Umberto Grillo; Cadeira 25 – Maria Tereza Fiuza Lima Mascarenhas Passos. 

No ano de 2020, mesmo com a terrível pandemia a diretora anterior, presidida pelo ilustre professor e poeta acadêmico Pinheiro Neto, muito foi feito para enaltecer a centenária Academia Catarinense de Letras, como lançamento de um selo postal comemorativo pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos estampando o logotipo da ACL; a composição de um hino em comemoração ao centenário, com letra do vate acadêmico Artêmio Zanon, experto nessa arte, em produção de diversos hinos institucionais para municípios catarinenses. Foram também confeccionadas máscaras de proteção contra a contaminação do Coronavírus com o referido logotipo, bem como outros eventos se realizaram com a participação presencial de reduzido público, conforme recomendação sanitária. Em consequência, institucionalizou-se as sessões virtuais pela internet, já com a nova diretoria. 

Exaltemos, pois, nossa Academia Catarinense de Letras e a arte literária. 

 

A ARTE LITERÁRIA
Autor: Laerte Tavares

Deus deu ao humano ser certo talento
Para fazer da pedra bruta a arte
Na qual houvesse a mais singela parte
Do divinal ao humano sentimento.

Entre bruto e beleza existe um elo
Que é o divino; e a humana criatura,
A pedra bruta, pega e a transfigura
Em objeto de arte que é o belo.

Chama-se verbo, o invisível ente
Que guia o escritor e ele o sente
Por uma divina graça que apura

O pensamento vago em uma corrente
Vinda do além – é a luz resplandecente
Da arte expressa na literatura!