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segunda-feira, 12 de junho de 2017

DIA DOS NAMORADOS

FLOR DA CALIANDRA - VERMELHA SUGERE AMOR



    No Brasil, o Dia dos Namorados tem uma característica diferente. Por não existir a data específica até 1948, esperto ou experto comerciante brasileiro com dificuldade nas vendas de seus produtos, acatou a sugestão de um famoso publicitário, aproveitou a data de véspera do dia de Santo Antônio de Lisboa, o santo casamenteiro, para estabelecer o Dia dos Namorados – 12 de junho.
    Com isso, aqueceu sobremaneira às vendas do comércio dele e de tantos outros comerciantes.
    Apesar dos pesares, não poderia eu deixar de homenagear meu amor, nesta data e estender a homenagem aos amores dos de mais.


NAMORADA

Ah, doce namorada eterna e bela!
Encantamento de ternura augusta.
Olho o seu ser e enxergo a mais robusta
Imagem de mulher, sendo donzela.

E olhando a tal mulher, eu vejo ela:
Donzela virginal de imagem justa
Não a lascivo amor, e tanto custa
Eu entender não ser mulher, àquela

Paixão e a meu arroubo terno e quente,
Mas ser botão de flor ainda crescente
De uma verbena ou frágil caliandra

Que vai medrar, crescer e, florescente,
Hei de chamar mulher, a mais ardente:
Oh, doce amiga, amante, amada Sandra!


MULHER

Oh, deusa dos meus sonhos mais reais!
Vós sois a luz, o mito, a ninfa, a fonte
E meu oásis doce num horizonte
Que dista muito de mim, onde estais.


Vós sois, ou és? Eu quero que saibais
Que quando és amada e minha amante
De corpo nu, tão belo e estonteante,
Tu és amor, amor, e nada mais.


Eu deixo me levar ao sonho breve
Do toque inicial. Ninguém se atreve
A dar início ao melhor desse jogo.


Mas quando nos jogamos sobre a cama,
O jogo se inicia com uma chama
A eclodir em enorme e ardente fogo...


segunda-feira, 5 de junho de 2017

DIA DO MEIO AMBIENTE

   
QUEDAS DE ABELARDO LUZ – SANTA CATARINA, BRASIL


     No DIA DO MEIO AMBIENTE fomos acometidos com as chuvas torrenciais que se abatem sobre o Brasil, que parece estar a nos dar um puxão de orelha em advertência às mazelas de nossa civilização universal; e "um viva ao maluco americano!..."
     Para homenagear o DIA e expor o estado de alerta que estamos a vivenciar, compus dois poemetos não muito breves:

Natureza

Fogo, terra, ar ou vento,
Água, Tao – vazio ou cheio
Na natureza e no meio
Ambiente, como elemento
Ao homem a ter assento
No panteão dos eleitos
Em equilíbrios perfeitos
Benéficos à natureza,
Qual penhora da certeza
De que não seremos rejeitos.

Tão doce uma mata amena,
Um riachinho dourado
Com um arbusto ao lado
Ou uma plantinha pequena
Dando vida e alma à cena
Do ambiente natural,
Quer vegetal ou animal.
Faz parte da raça humana
O tal meio, donde emana
O equilíbrio ambiental.

As folhas caem no outono
Para dar mais luz a terra.
A natureza não erra,
Deixando o sol ser o dono
Do solo no inverno, em sono
Que acorda na primavera,
Antes do verão, à espera
Das folhas, flores e frutos
Saírem dos galhos brutos...
E volta tudo ao que era.

Mas se o homem desmatar?
Se não cuidar do ambiente?
Se for com o meio, imprudente?
Se poluir todo o ar?
Vai deixar em seu lugar
O caos. Se o planeta aquece,
Que restará de benesse?
Poderá vir o castigo
Natural, e o Deus amigo
Não ouvirá nossa prece.

Será o homem um predador
A devorar a si mesmo,
Usando o ambiente a esmo
Como dele, sem pudor,
Achando-se superior
Ao meio que o rodeia
Como dono da cadeia
Alimentar e do mundo?
Pobre homem moribundo,
Vai colher o que semeia!


POEMA - vídeo 



ESTAS CHUVAS...



Esta chuva que Deus manda
Parece até ser castigo.
Pelo excesso e sem demanda
Tornar-se o grande perigo.


Chove, chove e chove tanto
Que extravasa os rios.
E a nós, provoca arrepios
Que entre a prece e o pranto
Há lamento em cada canto
De um território em ciranda
Que roda, roda e desanda
A voltar ao antigo ponto. 
Deixando o seu povo tonto,
Esta chuva que Deus manda.


E a força d’água é bastante
Sem alívio ou previsão
Que a precipitação
Chegue ao final e, diante
Do fim, ainda distante,
O povo procura abrigo
Ou a casa de um amigo
A não ficar à mercê
Da água que vê e não crê.
Parece até ser castigo.


Toda a Defesa Civil,
Prestimosa a seus trabalhos
Procura, meios e atalhos,
Como um soldado servil
Para aplacar o Brasil
Deste desastre. E comanda
Ações, cuja propaganda
Orienta os flagelados
Com tanta água, alagados
Pelo excesso, e sem demanda.


É triste, o triste flagelo
Que assola o país inteiro!
O nosso Estado é um ribeiro
Sem margens, e em paralelo
As águas sobem ao castelo
De proa que era abrigo
No convés e não jazigo
Se o navio, por azar,
Na hora de adernar
Tornar-se o grande perigo.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

AI DE MIM

CREPÚSCULO SOBRE O MAR CALMÍSSIMO DA BAÍA DE ITAPOCORÓY
FOTO DE PAULO RENATO VERÍSSIMO






A “Tragédia dos Comuns”
É um razoável tratado.
Vê o Planeta lotado,
E prevê morrer alguns.
Porém, eu não quero morrer! E nem me perguntem por quê.
Por estar certo que morrendo não faria falta, como já não somo, a não ser aos meus. 
Sei que o sol nasceria como sempre; e, por certo, iria ao ocaso, mas veria com a sua própria luz e clareza de inteira lucidez, que faltaria sob sua iluminação, este engenheiro que fica a imaginar o cálculo de rotação da Terra em torno de si, peregrina e bela, dando a aurora rosicler. 
Bem como fica a compor versos para satisfazer sua alma que transcenda aos cálculos. 
E sentiria a falta do versejador afetivo e efetivo que rima Aurora com a luz indo embora.
E, agora, pois se eu morresse?... Far-se-ia o ocaso com um outro prazo? Sei que não.
Sei que as flores desabrochariam, por certo, com a nova primavera que floresceria os jardins, porém as flores se entreolhariam e, intrigadas, perguntariam no silêncio frio do orvalho matinal, por onde andariam estes olhos que tanto amam as orquídeas.
O verão haveria de voltar, porém, a areia da minha pequenina praia e pátria sentiria a falta das pegadas de meus pés nus, em doces caminhadas, que as ondas apagam, como apagam todos os rastros.
O mar mais raso, sem o meu corpo nele imerso ao banho e as águas mais frias, sem o calor do mesmo, reclamariam aos céus por mim, através de suas ondulações mansas  com seus marulhares quase silenciosos.
Eu sei que apenas o joão-de-barro e o bem-te-vi fariam as algazarras estridentes de sempre à minha falta ou sem ela, mas sei também que a juriti, ressentida, arrulharia à tardezinha no promontório à beira do caminho que tanto palmilho, atrás da minha casinha de praia, triste como a pomba saudosa comovida e inconformada pela irreparável  ausência de seu amigo, o passivo admirador e ouvinte contumaz.
Hoje, ciente de mim, a voz da sabedoria me diz: amigo, mas a tua saída dará lugar a outro embarque nesta nave lotada!
Sempre haverá outro tripulante substituto!
Então vai, oh filho Arthur!...
E mesmo não sendo rei, arvora-te altivamente em tua senhoria humilde de majestade, e deixa o sol te iluminar!
Observa a rotação da Terra a dar a todos, o dia e a noite.
Rima, talvez teu empenho duro, com a vitória no futuro.
Ama as flores! Deixa o teu rasto na praia e entra no mar,
E nele, que o teu corpo aqueça as suas águas.   
Faze!... Vive!... Para que eu, em ti, possa viver eternamente...