Poemas, Contos, Crônicas... Este “silo de armazenamento” não estoca o lirismo, mas o distribui, em forma de poemas, ao consumo de ávidos(as) pela doçura da vida!
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segunda-feira, 17 de abril de 2017
REBALDARIA OU RIBALDARIA
terça-feira, 4 de abril de 2017
SESSÃO DE SAUDADE - ACADÊMICO ALCIDES ABREU - ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS
Através do amigo fraterno Ariel Abreu, seu sobrinho, Alcides
transformou-se em um amigo paternal que tive, ajudando-me em diversas
circunstâncias. Com Alcides também aprendi muitíssimo, quando da sua atuação como coordenador
de um Ciclo de Estudos da Escola Superior de Guerra, que por estudos regionais
que fizemos juntos em viagem de um mês ao norte do país, estreitamos laços de
amizade. Viagem essa que, no retorno, em escala no Rio de Janeiro, ao decolar
estourou um pneu da aeronave e no procedimento de descarte de combustível, que
durou uma hora, aproximadamente enquanto nos passavam instruções à
aterrissagem de barriga. instantes em
que Alcides Abreu demonstraria sua fleuma e sabedoria. No rasante de
reconhecimento da pista e para que a torre de controle verificasse a real
extensão dos danos no trem do pouso, os passageiros, ao enxergar uma quantidade
enorme de carros de bombeiros e ambulâncias enfileirados, paralelamente,
ao longo da cabeceira da pista, foram ao desespero. A histeria explodiu em choros, gritos e lamentos. O professor Alcides, de
fala mansa, antes da ordem do comando para que ficássemos em posição fetal em
nossos assentos, levantou-se e saiu pelo corredor a acalmar a turma aflita. Feito o pouso infernal e cheio de riscos, em que o avião,
depois da reversão das turbinas ao largar o rodado avariado sobre o
solo, estremeceu-se todo, rodopiou em cavalo de
pau a então parar. Houve uma calorosa salva de palmas, seguido ao alívio. Alcides, despreocupado, nada comentou, o que a ele tratava-se de um simples procedimento.
Alcides Abreu foi um dos gênios catarinense. Despontou desde cedo, culminando com seus estudos na famosa universidade
francesa Sorbonne de Paris. Em Florianópolis, além de professor de Economia e
de Direito na UFSC, assumiu cátedras em várias outras universidades, inclusive
em Brasília, onde também foi gestor do Banco Regional de Desenvolvimento de
Brasília, local em que teve contato com o engenheiro Colombo Machado Salles, assessor do Prefeito daquela cidade, Plínio
Cantanhede.
No início de carreira, Alcides lançou-se em concurso para promotor de justiça, e
classificando-se assumiu na comarca de Ibirama. Em outro concurso para
executivo na empresa americana Shell, ele passou em primeiro lugar, seguindo
então, a Salvador na Bahia ao seu novo trabalho.
Mais tarde, foi
conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de
Santa Catarina. Depois, diretor do Cooperativismo Catarinense.
Ao convite do candidato a governador, o senhor Celso Ramos, o professor Alcides arquitetou
um excelente plano de metas para um governo. Ramos, eleito, Alcides
executa o projeto que se chamou PLAMEG – Planos
e Metas do Governo. Por bem elaborado, através desse plano deu-se a criação
do Besc, Badesc, Celesc e outras empresas e fundações. Posteriormente, Dr.
Alcides veio a criar uma secretaria abrangente para o governo, denominada Secretaria sem Pasta, porém englobava
muitas delas ao mesmo tempo. A partir dai, idealizou a Secretaria do Oeste para o Oeste
Catarinense, a Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e também trouxe
o SENAI ao Estado, sendo ele seu diretor regional. Como diretor da empresa de
telefonia do Estado, Cotesc, com a assessoria Jurídica de seu irmão Hélio,
passou os ativos a uma nova empresa federal
que veio a ser a Telesc, na qual foi diretor
e trouxe ao Estado as ligações de discagem
direta e a de discagem direta à distância.
São inumeráveis seus atos e fatos que ajudaram a engrandecer Santa
Catarina. Quando Jânio Quadros assumiu a Presidência da República, pediu ao então governador Celso Ramos, que abrisse mão
de seu auxiliar Alcides Abreu a ser aproveitado em um ministério de Brasília,
mas a resposta do governador foi em forma de outro pedido – que, por favor, o
presidente não insistisse a tirá-lo daqui, pois seria o mesmo que levar toda
Santa Catarina. Não abrindo mão de seu assessor dileto, pôde-se fazer um excelente
trabalho.
A última vez que encontrei com o mestre Alcides, foi em frente ao Hospital
Celso Ramos, à Avenida Prof. Othon Gama D’Eça, quando ele, como sempre, vestido
todo de branco, alegre, homenageou-me com seu afeto característico, exaltando
meus méritos. Depois, fez uma crítica profética. Comentou ele: “Laerte, o Brasil
precisa de engenheiros honestos como você e não desses engenheiros mentirosos
que vivem a vender ilusões! O que você acha desse tal de Eike Batista que quer
empreender em Biguaçu?” Depois de dar minha opinião, ele a contestou, dizendo:
“Não! Esse homem é um vendedor de ilusões. Ele não tem um tostão no bolso. Se
virá-lo de cabeça para baixo não cairá um só centavo de seus bolsos. Todo
dinheiro que tem é escritural, é feito de papéis em bolsas. Vai haver um dia em
que, quando os acionistas pedirem resgates do que aplicaram, os ativos dele não
darão para pagar metade da dívida.”
Tudo
faz parecer que ele estava certíssimo...
Alcides faleceu em 22 de julho de 2015 aos oitenta e oito anos de
idade, deixando a inseparável companheira Ednete Souza Gallotti e três filhas –
Márcia, Maria Alsina e Ana Cláudia.
Em doce e terna amizade.
Com teu palmilhar na Terra
Pelo grandioso legado
