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segunda-feira, 17 de abril de 2017

REBALDARIA


Praia do antigo porto baleeiro de Armação do Itapocoróy. 
  Na imagem, representando os filhos do lugar, Paulo Renato Freitas (D) e Emir Custódio (E).
Observem a tradição portuguesa pela Cruz de Malta em uma lancha 
baleeira e o nome do bote - Divina Providência.

  Passei a Semana Santa e Domingo de Páscoa em Armação do Itapocoróy, meu doce torrão natal onde possuo uma pequenina casa de praia bem em frente ao porto pesqueiro do antigo povoado português – a Praia da Companha (guarnição ou tripulação inativa de uma embarcação posta em prontidão – nesse caso, para quando da arpoação de uma baleia, entrar na faina e rebocar o cetáceo até a praia ao devido processamento final do óleo de baleia à exportação, destinado à iluminação).
     E lá, em conversa com pescadores, resgatei à lembrança, tradição já em desuso, daquele povo  – a Rebaldaria ou Ribaldaria. Rebaldaria seria um costume sui generis, que por mais que eu pesquisasse junto ao pessoal mais antigo, dentre descendentes de portugueses açorianos e continentais (principalmente do Porto, Braga e Nazaré), não consegui desvendar a razão do ato, e pediria ajuda a quem souber das causas ao tal hábito: costumavam, quando da Sexta-feira  Santa para o Sábado de Aleluia, à madrugada, fazer uma verdadeira baderna na rotina da paz e status quo da vida dos habitantes locais. Vários grupos de rapazes saíam às ruas, para tumultuar o transcurso rotineiro dos hábitos do pacato  sítio, provocando a desordem, a fazerem trampolinagem e arruaças, com a finalidade de surpreender a população, ao amanhecer. Entre os atos, constam obstruções de vias públicas, onde atravessavam canoas, lanchas e carroças no meio das estradas; amarravam os portões das residências com bastante cordoalhas, dificultando a abertura, pelo cidadão, na manhã seguinte; colocavam estivas, vaus ou rolos (estrados de carreiras usados para puxar as embarcações miúdas na praia) em pé, encostados nas portas para que quando fossem abri-las, caíssem para dentro de casa.
            Não se tem certeza da razão, motivos ou referências que deem lógica a esses atos. Os pescadores mais antigos supõem ser uma representação sadia, da indignação do povo contemporâneo de Cristo, por terem matado o Mestre Jesus, um inocente, e os componentes desse povo, revoltados, investiam contra todos e tudo que figurassem como responsáveis pela morte do Messias. Mas isso era praticado  na mais perfeita ordem da expectativa alheia, já ciente da possibilidade do inesperado e dos atores, filhos dos estimados compadres e amigos. 

Ah santa Rebaldaria...
Que o povo português
Tanto uso dela fez
E eu não sei por que seria,
Mas creio, por rebeldia
Contra a morte de Jesus
Crucificado na cruz
Mesmo sendo um inocente.
Por revolta, de repente,
A rebeldia faz jus.

Soltam cavalos, cabritos,
Galinhas, vacas, carneiros,
Prendem gente no terreiro
De suas casas, por ritos
Antigos, presos a mitos
Incertos da verdadeira razão
Ou o porquê dessa ação.
Como um ato marginal,
Por laços a Portugal
É feito por tradição...


33 comentários:

  1. É bom ter uma casinha num sítio assim...
    Tradições amigo, coisas do passado.
    Mas os portugueses não foram nenhuns santos.
    Um abraço amigo.
    Irene Alves

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  2. Oi Silo,
    Esqueceu da lua?
    Eu vou por Rebaldaria, as outras seriam similares.kkk
    Se fosse jovem entraria na bagunça, agora deito e durmo.
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  3. Tradições que vão atravessando gerações.
    Aquele abraço, boa semana

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  4. Uma delícia ler teu texto recheado de tradição e espírito pascal
    Bem a propósito da quadra.
    Parece-me inspirador esse torrão natal. E uma casinha em frente ao porto pesqueiro é mesmo um privilégio. Depois vem um pouquinho da história de um povo aventureiro: o português.
    Soube-me bem passar por aqui. Enriquecida com esta rebaldaria.
    Bem hajas.
    Beijinho.

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  5. Um belo texto reflexivo, o qual originou uma magnífica poesia. Ambos valorizando a tradição e a cultura de um povo. Vim com imenso prazer retribuir sua visita ao meu blog e me encantei com o que aqui encontrei. Obrigada pela visita, pelo lindo poema e por me seguir. Volte sempre ao meu ser tão poético, será bem vindo e, igual prazer irei te seguir. Beijos cheios de ternura!

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  6. Antes de mais ... obrigada pela visita e pela excelente partilha!!!

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  7. Antes de mais ... obrigada pela visita e pela excelente partilha!!!

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  8. Boa tarde amigo,
    Obrigada pelo seu comentário poético tão bonito no meu Canto.
    Adorei este texto muito bem escrito assim como o poema.
    É muita estranha essa forma de os portugueses se manifestarem, uma vez que actualmente em terras do Norte e do interior ainda existem manifestações de rua muito ordeiras e pacatas de religiosidade nesses dias santos e festivo. Não me recordo de alguma vez ter ouvido falar de em qualquer sitio de Portugal haver manisfestações desse género.
    Bj
    Ailime

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  9. Que ll9indo tudo aqui,Silo.Gostei muito! E aproveito pra te agradecer o lindo carinho que deixaste lá no blog dos céus! Adorei! Estou esperando um céu teu, clicado por ti e quiseres mandar pra mim, pois tenho tantos de vários amigos! abraços,chica

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  10. Rebaldaria é um termo popular que se usa bastante precisamente para o caos que se instala devido, sobretudo, a atos irreverentes. Até te ler, não fazia a mínima ideia de tal tradição. Há alguns rituais com algumas semelhanças mas que ocorrem em outras épocas, nunca nesta. Por tal, agradeço muito a partilha. Parabenizo-te pelo belo poema que inspirou e desejo que, essa casinha, te proporcione sempre momentos muito bons.
    Bjinho, Laerte :)

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  11. Rebaldaria é um termo popular que se usa bastante precisamente para o caos que se instala devido, sobretudo, a atos irreverentes. Até te ler, não fazia a mínima ideia de tal tradição. Há alguns rituais com algumas semelhanças mas que ocorrem em outras épocas, nunca nesta. Por tal, agradeço muito a partilha. Parabenizo-te pelo belo poema que inspirou e desejo que, essa casinha, te proporcione sempre momentos muito bons.
    Bjinho, Laerte :)

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  12. Silo, buenas noches, encantada de topar por este tu blog, y agradecida de tu visita a nuestra casa, mi, nuestro blog, gracias por compartir, tu tiempo en leer, y tu agradable comentario.

    Bonito puerto, bonita foto, y estupendo texto, me cuesta entender algunas palabras, pero al final creo que lo conseguí.

    Un sincero abrazo amigo, y pasare a visitarte cuando eso llamado tiempo, la mayor fortuna del que lo posee me de tregua.
    felicitaciones, amigo Silo

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  13. OI SILO!
    TRADIÇÕES ANTIGAS QUE MUITAS VEZES NÃO ENTENDEMOS MESMO, MAS TODAS ELAS TEM UMA MOTIVAÇÃO E ESTA COMO JÁ DISSESTE, DEVE ESTAR MESMO LIGADA AO FATO DA PAIXÃO DE CRISTO.
    MUITO INTERESSANTE TEU POST.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  14. Olá Silo,

    Estranha essa tradição, que de "Santa" nada tem, apesar de praticada "na mais perfeita ordem da expectativa alheia"-rsrs. Contudo, tradição é tradição. Desconhecemos, muitas vezes, a origem de determinadas tradições, mas todas elas carregam alguma motivação.
    Adorei o poema, que retrata lindamente as suas explicações feitas em prosa.

    É um privilégio ter uma casa de praia em frente a um porto pesqueiro. Aproveite-a sempre!

    Obrigada pelo lindo Soneto que você deixou lá no meu recanto.

    Feliz semana!

    Abraço.

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  15. Silo
    uma tradição meio estranha e original.
    gostei de ler.
    agradeço a sua visita lá no meu espaço das fotos, mas, gostaria que me desse a sua opinião, ao meu ultimo poema.
    muito obrigada!
    beijinhos
    :)

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  16. Caro amigo Laerte, nada como juntar o útil ao agradável, ou seja, poetizar a tradição histórica, ainda de quebra fazer uma homenagem interessante ao povo português. Um abração. Tenhas uma ótima quarta-feira.

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  17. Amigo Laerte, conhecia a palavra mas não essa tradição tão original e com origem portuguesa.
    Esse local deve ser um verdadeiro paraíso.

    Excelente como sempre, o seu poema .

    Um beijinho grato

    O Toque do coração

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  18. Para já um obrigada pela beleza de poesia que deixou, Silo!
    Fiquei um pouco admirada por nesta época fazer-se essa rebaldaria, quando em Braga - minha cidade-berço - é tudo menos isso. Mas costumes são por vezes de difícil explicação.
    Bom fim de semana!
    *

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  19. Muchas gracias por el poema que me has regalado, un placer tu visita a mi rincón.

    Me quedó descubriendo el tuyo.


    Besos.

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  20. Acabam de entrar lá os céus de vocês! Obrigadão! Podem ver aqui>

    http://ceuepalavras.blogspot.com.br/2017/04/ceus-do-silo-lirico.html

    abraços, chica

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  21. Tradições, algumas vão-se perdendo no tempo mas outras continuam sempre presentes.
    Lindo poema.
    Um abraço
    Maria

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  22. Caro Laerte, aqui em Portugal, "Rebaldaria", significa que algo não tem organização, foi feito sem pensar, está caótico. Utilizamos muito esta palavra. Naturalmente para classificar algo como disse de forma depreciativa. Cumprimentos.

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  23. Felizmente, as más tradições - neste caso anárquicas - perdem-se no tempo, com exceção para as que rendem dinheiro, como a tourada ou jogos de azar...
    Gostei da leitura e agradeço o conhecimento.
    Excelente fim de semana.
    ~~~~~~~~~~~~~~~~

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  24. Laerte, te agradezco mucho el bellísimo comentario que dejaste en mi Blog! Me quedaré leyendo tu espacio que es muy bello! Gracias!

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  25. Hola Silo que lindas huellas me dejas en mi blog bellísimo muchísimas gracias gracias bella poesía a disfrutar de ese viaje , un abrazo desde mi brillo del mar

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  26. Vengo a conocer tu casa y darte las gracias por tu bella huella en mi isla de luz. En si mismo tu comentario es un poema que da luz a las letras desde tu sentir y hace aun mas bellos los lugares que transmites con tu latir.

    Un abraz☆ de luz a tu luz

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  27. Muito interessante o relato, uma lição aprendida, sempre bom aprender algo novo.
    Aqui no Brasil , a tradição continua em evidência, do sábado para o domingo de Páscoa preparam um Judas cheio de trapos e saem pelas ruas arrastando, em determinado ponto realizam a " Malhação do Judas", batem até rasgá-lo, é o protesto pela morte de Jesus. Como diz o ditado bem antigo: Cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso.
    Bom dia e boa sema Laerte.
    Abração

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  28. Oi, Laerte, não conhecia essa tradição, não, original sim e um pouco rebelde (rs). Mas se for pela crucificação, pode ser válida...Há os que contestam por muito menos e são aplaudidos...
    Mas ter uma casa à beira-mar...ter para onde dar muitas fugidas no ano, é maravilhoso.
    Abraços dos pampas!

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  29. Esqueci de falar no belo poema!
    Gostei muito! E que ritmo gostoso, agradável, nos empurra pra frente para ver o final, a apoteose!
    abraço.

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  30. Gostei de encontrar aqui a tradição da rebaldaria, palavra muito usada ainda por cá para classificar situações de caos... Achei muito interessante o poema.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  31. Não me lembro dessa tradição (mas também cresci na cidade do Porto), vou procurar saber mais.
    uma boa semana também
    e um beijinho
    (e obrigada pelas ideias/conselhos para escrever o texto lá no dona-redonda)

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