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quarta-feira, 12 de julho de 2017

BALADA


                                         web - balada cantada ao som dos alaúdes.

Mais uma incursão literária de meu espírito atrevido, mas não insolente, no âmbito da poética – querendo ele compor uma balada, e com o amparo da razão, colocamo-nos em campo de prova.
Balada é um poema estruturado de forma fixa com vinte e oito ou vinte e nove versos distribuídos em três estrofes de oito versos (oitavas) e uma estrofe de quatro (quarteto) ou cinco (quintilha) versos. A última estrofe tem o nome de oferenda ou ofertório, porque nela, o poeta oferecia sua composição a alguém ou fazia um pedido, normalmente de relacionamento. A estrutura métrica, quase sempre, era de versos octossílabos e as rimas cruzadas. Havia no conjunto ainda, o paralelismo que seria a repetição de um mesmo conceito nos versos finais de todas as estrofes.
Essas formalidades começaram a partir do séc. XIV na França, principalmente com Villon e na Alemanha com poesias narrativas folclórica ou tradicional. Já no séc. XIX Chopin usou esse título BALADA em quatro obras suas, ao piano. Porém, bem antes, os cancioneiros da Idade Média compunham baladas em forma de canto, acompanhado de coreografia e recitações líricas ao som da lira ou alaúde, mas sem rigidez na composição.
No Brasil, a balada teve maior prestígio na poesia parnasiana, que procurou reviver as formas fixas, abandonadas pelo romantismo. Olavo Bilac compôs excelentes poemas baseados inteiramente nesse estilo literário. Depois outros poetas as compuseram, mas já de maneira livre, sem as formalidades do início, que eu, ainda não aprendi a apreciar. Modernistas, ao exemplo de Osvaldo de Andrade, as fizeram arbitrariamente também. Vinícius de Moraes, pautou suas baladas no meio termo, obedecendo parte da forma fixa, e assim compondo excelentes poemas (ao meu gosto); uma das que mais aprecio, intitula-se BALADA DAS MENINAS DE BICICLETA. 

Para testar minha verve anã e pachorra gigante, compus um arremedo de balada dentro das formalidades, mas evidentemente com erros que meu saber não alcançou para corrigi-los. Espero que esse exemplo, mesmo sem poesia, sirva para elucidar os leitores ao exemplo do tema, e confesso que a empreitada me serviu de exercício “anti-alzheimer”. Portanto: Dever cumprido!... Por favor, não quero molestar ninguém – espero que gostem.

BALADA À CAROLINA  

Enxerguei a Colombina
Em trajes preto e amarelo,
Com certo olhar de grã-fina,
Mas de um sorriso tão belo
Que a sua aura ilumina
Este Arlequim sonhador,
Prende-se a minha retina
E à alma, plena de amor.

Nós dançamos. Por rotina,
Dançou ela. Em paralelo
Eu namorava a menina
Com a paixão que revelo
Ter pensado até ser sina,
Pois seu olhar sedutor
Misturou-se à serpentina
E incendiou-me de amor.

Sem a máscara malina
Vi a flor, cujo labelo
Em lábios se descortina
Como os de um anjo singelo,
Dando o nome, Carolina,
Feita uma mulher em flor
Ou flor humana e divina
Qual ramalhete de amor.

Carolina, por favor,
No carnaval és a amada,
Sê amante! A rigor,
Tu és a minha alvorada!
São teus, meus raios de amor!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

FESTA JUNINA





Capela São João Batista de Armação do Itapocoróy

Festa Junina, Joanina ou Junônia, importante manifestação popular, que segundo a história, teve início na Europa antiga, sendo um ato pagão, quando povos como os celtas, bascos, egípcios e sumérios realizavam festivais da colheita com danças no entorno de uma fogueira para espantar os maus espíritos, e também com cerimônias invocando a fertilidade, estímulo à natureza ao crescimento da vegetação, com o intuito de promover a fartura e a vinda das chuvas. O evento acontecia durante o solstício de verão (marcado pelo dia mais longo do ano). No período pré-gregoriano, a partir da afirmação do cristianismo, os cristãos passaram a dar um significado religioso às festas juninas. Aproveitando o solstício do verão ser próximo a data (24 de junho) do nascimento de João Batista, primo de Jesus, que gostava de batizar as pessoas, purificando-as para a vinda de Cristo, conforme “as escrituras bíblicas”, passaram, então, a denominar o evento de  “Festa Joanina”.
Por aqui, após a colonização do Brasil, a festa passou a ser introduzida, nos moldes da cultura europeia. Sendo que o evento não provocou estranheza aos negros e índios que viviam neste território por se parecerem com festas de suas culturas ocorridas no mesmo período do ano.
Assim, São João Batista, o maior de todos os profetas, vindo antes de Cristo e que o batizou nas águas do Rio Jordão, ficou como patrono principal dessas festividades, embora outros santos concorram como São Pedro e Santo Antônio de Lisboa (ou Pádua). Atenção para não confundir João Batista com João Evangelista que foi discípulo de Cristo, ou João Damasceno, de seiscentos da era cristã, doutor da Igreja Católica que a defendeu dos iconoclastas - aqueles que faziam apologia e doutrina para quebrar as imagens sacras por não acreditarem nelas.
Em minha terra natal, Armação do Itapocoróy, Penha, SC, a Festa de São João Batista, padroeiro da paróquia praiana, cuja capela beira os trezentos anos de existência, é comemorada com muita devoção, empenho e afluência de pessoas (principalmente marítimas), estranhas ao local desde a implantação da capela, ou antes mesmo, quando apenas uma enorme cruz cravada no promontório mais alto do cabo marítimo delimitador da Baia de Itapocoróy, denominado Ponta da Cruz, imponente símbolo da cristandade inerente ao povo local do Arraia de São João Batista, depois, Armação do Itapocoróy.
No meu tempo de menino, um dos baluartes desse evento era um extraordinário cidadão, de saudosa memória, a figura do tenente Milton Fonseca, expedicionário, natural da Laguna, SC, radicado em nossa terra, um herói da Segunda Guerra Mundial, que serviu com presteza, orgulho e carinho a comunidade até seus últimos dias de vida. Seu Milton foi homem que esteve à testa das promoções mais grandiosas das festas juninas locais, trazendo extraordinários artistas como os cantores Tonico e Tinoco, de graça, para animar e abrilhantar uma das festividades nos idos de mil novecentos e cinquenta, um espetacular evento para a cidade, na época.
Dada a extraordinária condição do porto de abrigo aos nautas surpreendidos por borrascas em alto-mar, que ali faziam a arribação necessária à fuga, aguada e complementação de víveres na plácida baia, a parte mais importante das festividades dava-se à véspera do dia. A igrejinha situada no meio da baia em promontório elevado, iluminada com fogueira acesa para última noite de novena e com queima de fogos, recebia em repercussão, dezenas de barquinhos pesqueiros que aportavam do mar alto em pesca ou de portos distantes como Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande, ao mesmo tempo com uma queima excepcional de fogos de artifício desde o fim da tarde até altas horas da madrugada, a saudar São João, e a São Pedro patrono dos pescadores. E na manhã seguinte dava-se a missa seguida de procissão terrestre até a areia da praia para embarque das imagens em embarcação sorteada para a festiva procissão marítima, acompanhadas de centenas de barquinhos enfeitados com bandeirolas, estandartes, toalhas, tapetes e flâmulas alusivas ao evento...
E viva São João, São Pedro e Santo Antônio!


SÃO JOÃO 

Prima da Virgem Maria,
Santa Izabel prometeu
Que ao nascer o filho seu,
Fogueira ela acenderia,
Se fosse à noite. Se dia,
Punha um boneco de pano
Sobre um mastro soberano
Em certa altura, à evidente
Visão de sua parente,
A constatar sem engano.

E nessa noite um clarão
Deixou tudo iluminado
Como o teor do recado
Da vinda de São João,
O esperado varão
Que Zacarias, o esposo,
O aguardava ansioso
Por ser profeta, talvez,
Pois profecia se fez
Ao tal augúrio ditoso.

Vinte e quatro era o dia
E junho seria o mês
Que a profecia se fez
Quando a tal fogueira ardia
Para mostrar à Maria
Ter nascido esse varão,
O profeta São João
Que depois batizou Cristo,
Conforme estava previsto,
Às margens do Rio Jordão.

E se instituiu assim
A celebrar São João
Como fiel tradição
Religiosa, essa primeira
E auspiciosa fogueira
De Zacarias. O feito
Tornou-se praxe e o jeito
De uma justa homenagem
 A São João por passagem 
Do seu dia, ato perfeito.


Então, viva São João,
Viva Izabel, Zacarias!
Viva à festa e às folias
Populares, tradição
No interior, no sertão,
Na praia de onde eu vim
E nas cidades. Assim,
Revive-se o nascimento
De João e o advento
Da vinda de Cristo, enfim.

Festas Juninas em vários países

segunda-feira, 12 de junho de 2017

DIA DOS NAMORADOS

FOTO WEB
FLOR DA CALIANDRA - VERMELHA SUGERE AMOR

No Brasil o Dia dos Namorados tem uma característica diferente. Por não existir a data específica até 1948, esperto ou experto comerciante brasileiro com dificuldade nas vendas de seus produtos, por sugestão de um famoso publicitário, aproveitou a data de véspera do dia de Santo Antônio de Lisboa, o santo casamenteiro, para estabelecer o Dia dos Namorados – 12 de junho.
Com isso, aqueceu sobremaneira às vendas do comércio dele e de tantos outros comerciantes.
Não poderia deixar de homenagear meu amor, nesta data e estender a homenagem aos amores dos de mais.


NAMORADA
Ah doce namorada eterna e bela,
Encantamento de ternura augusta!
Olho o seu ser e enxergo a mais robusta
Imagem de mulher, sendo donzela.

E olhando a tal mulher, eu vejo ela:
Donzela virginal de imagem justa
Não a lascivo amor, e tanto custa
Eu entender não ser mulher, àquela

Paixão e a meu arroubo terno e quente,
Mas ser botão de flor ainda crescente
De uma verbena ou frágil caliandra

Que vai medrar, crescer, e florescente
Hei de chamar mulher, a mais ardente:
Oh doce amiga, amante, amada Sandra!


MULHER

Oh deusa dos meus sonhos mais reais!
Vós sois a luz, o mito, a ninfa, a fonte
E meu oásis doce num horizonte
Que dista muito de mim, onde estais.

 Vós sois, ou és? Eu quero que saibais
Que quando és amada e minha amante
De corpo nu, tão belo e estonteante,
Tu és amor, amor, e nada mais.

Eu deixo me levar ao sonho breve
Do toque inicial. Ninguém se atreve
A dar início ao melhor do jogo.

Mas quando nos jogamos sobre a cama,
O jogo se inicia com uma chama
A evoluir em tão ardente fogo...