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sábado, 17 de novembro de 2018

A SAGA DO IMIGRANTE AO BRASIL DO SÉC. XIX

LINDA PRAÇA EM FAGUNDES VARELA - WEB


Hoje, a cidade de Fagundes Varela/RS se engalanou com a finalidade de receber integrantes da família Moreschi que lá chegou há cento e trinta anos para  se integrar a outras etnias e fundar uma pequenina pátria, remanescendo na Itália, parte dela, cujo ramo que se dedica à indústria calçadista, os seus membros figuram como sendo os maiores exportadores do país para os Estados Unidos da América do Norte, dos famosos sapatos italianos.
As viagens marítimas e os descobrimentos dos nautas portugueses no séc. XIV deram o “Novo Mundo” ao mundo, e ao “Velho Mundo”, deu aquele, novas perspectivas às vidas de quem o habitava, assim como deu oportunidades aos habitantes de todo o planeta - muda o mundo, pelo novo mundo!
Cidadãos europeus do séc. XIX, sentindo seu continente em crise, com o ideal de encontrar na América melhores condições de vida, embarcaram, no início de emigração provocada, com suas famílias em navios a vela enfrentando penosas viagens com duração de dois meses ou mais, em busca de horizontes novos no “novo mundo” para eles e aos seus vindouros.
  Muitos filhos da Itália, mais tarde, deixaram o torrão natal para trás, esperançosos de uma nova vida mais próspera. Do Porto de Gênova, terra de Colombo, embarcaram depois mais ao fim do século, muitas famílias italianas com destino ao Brasil, já ao domínio das novas invenções, em navios de máquinas a vapor, mais velozes, que ora cruzavam o oceano na metade do tempo dos antigos a vela. Entre tantas, em 1888, uma veronesa família de nome Moreschi,  singrou à América - o sonhado “ramalhete de flores”, cujo destino final seria o Sul do Brasil. Instalou-se, após longa saga marítima, fluvial e terrestre, no coração do Estado Rio Grande do Sul, na colônia de Alfredo Chaves. Por haver uma cidade de mesmo nome no Estado do Espírito Santo, a cidade gaúcha mudou, seu nome de Alfredo Chaves para Veranópolis. Mais tarde, o local onde os Moreschi se instalaram foi desmembrado de Veranópolis, como novo município e recebeu a denominação de Fagundes Varela, em homenagem ao grande poeta brasileiro. Ramos da família referida, mais crescida, expandiram-se para Santa Catarina e mais tarde, com maior número da prole, para todo o país e para o mundo. De seus membros, tive o privilégio em receber uma Moreschi por esposa que me deu um filho. No momento presente, após quase um século e meio, a família Moreschi promove mais um encontro de seus descendentes, desta vez para comemorar os cento e trinta anos de imigração, no local onde foi o começo de tudo, a pequenina pátria que serviu de berço aos seus, e conserva as memórias.

SAGA DO IMIGRANTE
Ao meu filho Arthur Moreschi Tavares

Europa, mil e oitocentos...
Com seus países em crises
Enormes e com matizes
Trevosos nos firmamentos,
Países, em passos lentos,
Caminhavam para um fundo
De abismo imenso e profundo!
E a Itália, viu o seu povo
Clamar pelo mundo novo
Ao rumo do Novo Mundo! 

Antecipou-se Verona
De gente audaz e aguerrida
Para buscar nova vida,
Sob o amparo de Madona
Mãe de Deus, na virgem zona
Cita América, em Brasil,
Que o rei português, gentil,
Oferece à “Gente Bona”!

Assim, fez-se um contingente
De famílias veronesas
Como a MORESCHI, de acesas
Almas, razão, fé e mente,
Que de início, já se sente
Apta para enfrentar
Os mistérios do além-mar
Descritos em brutais sagas,
Para ganhar novas plagas
Nesse sonhado lugar!

A América! E ela fez-se em porto
Na manhã de céu azul,
Já no Rio Grande do Sul.
Do mar, ainda absorto
O povo teve o conforto
Da paz, mas logo inicia
Uma nova romaria
Sob cantares de aves
Exóticas, e em Alfredo Chaves,
Funda a sua  freguesia!

Quase há século e meio...
Hoje a família se enlaça
E unida, agradece a graça
Alcançada por quem veio
Não com a vida a passeio,
Mas para um serviço duro,
Sonhando um melhor futuro
Para o esperado porvir
Aos descendentes a vir,
E brinda o amor terno e puro! 

Ora, em Fagundes Varela,
Certo poeta andarilho
Que deu nome sem ser filho
À Alfredo Chaves, tão bela
Que ora, a festa chancela
Para um clã italiano
Que atravessou o oceano,
Lutou e formou um povo
A dar para o “Mundo Novo”
Novo brilho ao ser humano!

À gente essa, ergo uma taça!
E em tragos, trago o meu vinho,
Que me traz tanto carinho,
Fruto da casta ou da raça
Dessa família que passa
A sangue do sangue meu,
Porque Deus do Céu me deu
De uma Moreschi, um filho
Que em meu olhar pôs o brilho
Refletido do olhar seu!

Alfredo ChavesVeranópolis

sábado, 10 de novembro de 2018

BALNEÁRIO PIÇARRAS, SC - BR RECEBE CERTIFICAÇÃO "BANDEIRA AZUL"

Balneário Piçarras - web

     Recebi do nobre amigo e irmão Jaime José Moura, alvissareira matéria que me fez feliz! Jaime é genro do saudoso Lélo Macedo, ex-prefeito de Piçarras – uma pérola incrustada do coração da Enseada do Itapocoróy, que abriga também minha pequenina pátria Armação do Itapocoróy. Na notícia sobre Balneário Piçarras, hoje administrado pelo preclaro prefeito Leonel Martins, meu amigo fraterno de longínqua data, consta que essa praia será uma das seis cidades, apenas, do País a ter a certificação "Bandeira Azul" à balneabilidade para a temporada de verão 2018/2019. 

    O reconhecimento veio de um programa internacional, que promove tais certificações ambientais para praias, marinas e embarcações. Esse feito eleva as expectativas do município para intensa atração turística no próximo veraneio. Além da Praia de Piçarras, apenas outros seis balneários e cinco marinas brasileiras receberam tais certificações conferidas pela referida entidade, entre várias unidades participantes do Programa  ”Bandeira Azul” por atenderam aos critérios estabelecidos pela organização internacional não-governamental sem fins a lucros FEE Found ation for Environmental Education). É um certificado que muito honra e prestigia o lugar e circunvizinhança, bem como honra os habitantes dessa região, e principalmente, os intrépidos homens do mar, pescadores artesanais que tanto zelam e fiscalizam nossa estimada costa e o mar sem fim dos mesmos. Para marcar esse feito em homenagem à querida cidade por onde palmilhei meus primeiros passos, fiz um poema em décimas do Cancioneiro Ibero-português – uma das mais antigas formas poética-literárias e universais, quase atemporais, que tomaram corpo no séc. XII, em Portugal, com Dom Dinis – O Rei Trovador. Depois voltaram mais intensas no séc. XVI, com Luiz de Camões em seus poemas narrativos, vindo a potencializarem-se atualmente, ao serem resgatadas como forma literária pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que as catapultou à voga atual, para diversas partes do mundo de línguas portuguesa e espanhola. Essas décimas os colonizadores portugueses trouxeram consigo ao litoral catarinense como à região de Penha, Centro Baleeiro, e se difundiram tanto em poemas de bendizer quanto em pasquins difamatórios. Meu tio-avô, Inácio de Souza, pai de Cláudio Bersi de Souza, escritor atual com mais de trinta livros editados, compôs algumas delas, as quais meu avô materno, irmão de Inácio, declamava-as. Assim, com elas, eu homenageio elas próprias, homenageio a língua portuguesa, a Academia Catarinense de Letras, entidade pública de todos os catarinenses, que no último dia 08/11/2018, em Sessão de Saudades, declarou vaga a Cadeira 22 que era ocupada ainda pela memória do Acadêmico Antônio Carlos Konder Reis, cujo edital para preenchimento da vaga será publicado pelo Diário Oficial, possivelmente no início do ano vindouro, após formalidades jurídicas e registros em cartórios. Porém, na verdade, com essas décimas, estou a homenagear, em primeiro lugar e principalmente, à querida cidade de Balneário Piçarras, que tanto a amo, terra de Antônio Pires, antigo comerciante que tanto ajudou meu pai e quantas vezes fui de boleeiro em carrocinha de um cavalo só, buscar mercadorias em seu armazém para suprir nossa vendinha em Armação. O armazém do rico comerciante situava-se à beira do mar, para suprimento por via marítima, ao fim da primeira estrada de acesso à praia, que partia da rua principal, ao pé da primeira subida e depois de um enorme banhado piçarrento onde à época estavam aterrando (aproximadamente 1949), que seguia desde de o Rio Piçarras até à travessa referida.


PIÇARRAS TOGADA DE AZUL
Autor: Laerte Tavares 

Eu já cantei Armação!
Hoje cantarei Piçarras,
Pérola de unhas e garras
Incrustada ao lindo vão
Que vai de Penha ao costão
Da Ponta do Jacques; vem
A Barra Velha, além,
Outra belíssima praia
Onde um rio lindo se espraia
Na barra que o contém.

Mil oitocentos e vinte
Auguste de Saint Hilaire
Viu Piçarras, qual mulher
Cuja beleza e requinte
Era ao homem, forte acinte
Por visão provocativa
insinuante, e cativa
Ele, e também àquela
Tripulação ante à tela
A insinuar-se à comitiva.

Do mar, aproaram à costa
Para enxergar mais de perto 
Aquele porto deserto
Que aos argonautas se posta 
Como uma santa proposta
Ao desembarque na areia.
Mas sentido a maré-cheia,
Rumaram para Armação
Que recebe a embarcação
Não feita uma terra alheia.

Piçarras teve um seu filho,
Filho de historiador!
Um excelente escritor
Seguidor d'atávico trilho,
Que ao cantar luz e brilho
Dessa sua pátria amada
E d’ínsula dessa enseada
De nome Itacolomy,
Cantou lenda que por si,
Faz da ilha, índia encantada.

Da Silva - Luiz Ferreira:
Chimboca, o imortal, fez  
Lindas lendas, que talvez
Seja a história verdadeira 
À alma sua, praieira, 
Também filha da enseada
Onde essa Ilha Encantada
O representa num sonho
Tão sonhado; e eu proponho
Que o sonhem! Não custa nada!

Cantem Piçarras - seu mar!
Cantem como certo hino
A um paraíso divino,
Berço de luz a banhar
A linda praia, sem par
No Brasil e no exterior.
Cantem este canto de amor!
Cantem cada canto e encanto!
Cantem como canta um santo
À graça de uma linda flor!

 Flor do Mar – a Flor de Luz,
Flor suprema entre flores,
Cujos seus veneradores
Regam-lhe para fazer jus
Ao seu brilho, que os seduz.
Mas eles não têm ciúmes
Das cores e dos perfumes
Que a flor cede aos visitantes,
Por ser generosa, antes