Símbolo da Academia Catarinense de Letras (boton)
Na azáfama do corpo e não da alma, tive o “dia das almas” - “dia de finados” ou “dia
dos fiéis defuntos”, para descansar o corpo e exercitar a alma na busca do belo,
e o procurei na arte literária fazendo jus à condição de novel acadêmico
eleito e empossado na cadeira 16 da Academia Catarinense de Letras. Assim
contribuiria com a literatura, dando de mim à arte referida, no desempenho da
missão acadêmica, pressuposto do Sodalício. No “dia de todos os santos”, pensei
em Cruz e Sousa, santo poeta; poeta máximo do nosso Estado de Santa Catarina, um
simbolista que se ombreou com Baudelaire, parisiense contemporâneo dele, o
nosso Cisne Negro, codinome de Cruz e Souza, por ser um homem negro. Novembro é
mês de seu aniversário e tenho que compor algo para homenageá-lo ou à memória desse
acadêmico imortal que se perenizou com a sua grandiosa obra; porém como meu corpo
ainda não deu descanso à alma para tanto, por enquanto, ficarei apenas com a
literatura – a arte do verbo que se faz em luz.
A ARTE LITERÁRIA
Deus deu ao humano ser certo talento
Para fazer da pedra bruta, arte,
Onde existisse a mais singela parte
Que transformasse o belo em elemento.
Existe elemento feito um elo
Entre o divino e a humana criatura
Que sem ser pedra, a alma transfigura
Um ente, em arte para dar luz ao belo.
Chama-se verbo, esse invisível ente!
Que faz de uma grafia, de repente,
A luz, a alumiar a face escura
Do inexistente e a faz resplandecente.
O verbo é luz que alumia a mente!
E uma arte d'alma é a literatura!




