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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

SEÇÃO V DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS

Recente desenho do Rodrigo de Haro em convalescença no Hospital Imperial de Caridade. O poeta a filosofar com as suas corujas. 

MEU SER É UM MISTÉRIO

Como um ateu que acredita em nada,
Eu cumpro a minha vida de arremedo,
Trazendo em mente a luz do próprio medo
E no meu ser, a alma imaginada.

Trilho sozinho a tortuosa estrada
A palmilhar no rumo de um enredo
De algum suposto script - segredo
Da liberdade que me foi negada.

Quem sou, já não importa mais saber.
Eu sei apenas ser um certo ser
Como outros tantos trilhando o caminho

Contra o destino a ater-me ao dever
De ir na trilha, cego, sem saber
O ser que sou que não sei e adivinho.

HOJE (16/09) É O DIA INTERNACIONAL PARA A PRESERVAÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO. 
VEJA VÍDEO: A NATUREZA NÃO ERRA



terça-feira, 5 de setembro de 2017

SEÇÃO IV DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS


Como da postagem anterior homenageei o Soldado Brasileiro, nesta devo homenagear um fraterno amigo que ressuscitou ontem ainda, depois de notícias no Brasil e nos Estados Unidos constando sua morte.
Trata-se do meu amigo  Rodrigo Antônio de Haro, brasileiro de nacionalidade francesa ou francês de nacionalidade brasileira – sei que os pais brasileiros tiveram o filho na França no tempo da guerra e lá o batizaram, fugindo para Portugal à época de Salazar e de lá para o Brasil em navio que à volta, os alemães o torpedearam – a vida do nosso protagonista já começa como um romance, mas não precisa dar um fim antecipado...
Rodrigo é um artista multifacetado com comprovação ou certificado de excelência em artes plástica como pintor com exposição nas maiores capitais do mundo e como muralista comparado ao espanhol Antoni Gaudi, de nossa Capital. É poeta também, titular de uma cadeira da Academia Catarinense de Letras, com mais de vinte livros editados.
Ontem, depois de reunião com a família e o plantonista da Unidade de Terapia Intensiva Coronariana que sugeriu tirá-lo da Unidade para uma morte mais digna junto aos seus, no apartamento do hospital, Rodrigo abriu os olhos e reconheceu um irmão. Sim, foi levado ao apartamento onde pediu sopa de feijão e gelatina, comeu, pediu repetição, mas não foi atendido. Hoje manifestou desejo de falar comigo e fui visitá-lo; e sabem o que ele me solicitou? Pediu-me para que o recitasse uma décima do cancioneiro português e contasse uma das histórias das promessas ao São Gonçalo de Amarante (casamenteiro das velhas) que há anos expliquei a ele sobre essa tradição açoriana em nossa região litorânea ao santo dos cachaceiros, cujas promessas são pagas ao som da viola em versos de improviso onde sobre o altar se colocava o santo e uma garrafa de cachaça com um copo, e a medida que os pares dançavam de mãos dadas, em sapateados, revezando-se na fila - o primeiro ia para o fim depois do casal se ajoelhar à frente do santo, e o homem do par, tomar um gole de aguardente após depositar umas moedas num prato à espera. Cantei alguns versos desse gênero a Rodrigo, que só não riu, mas tenho certeza que se alegrou bastante. Depois pediu que eu voltasse sempre, e que pedisse ir visitá-lo os amigos comuns, pois a conversa agrada-lhe e o distrai bastante - foi o que me disse. Estamos em corrente de orações por sua melhora. Junte-te aos bons que serás um deles!
Rodrigo - foto da web

Vamos ao soneto da seção e da sessão:
O AMOR 

Fenece a formosura de uma flor.
O tempo cala como sempre; e vai
Sob os desígnios que lhe deu o Pai.
Assim é a vida! - Na alegria e dor.

A beleza vital de uma donzela
É passageira – foi e será assim.
Teve começo, o ciclo terá fim
Na complexidade tão singela.

 Um só fator eterno existe apenas
Ao ser, maior que as coisas terrenas,
Que é o amor à outra criatura;

 Talvez porque no amor inconsciente
O ente humano projeta uma semente
Para ter filhos, além do que ele dura.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

SEÇÃO III DA SESSÃO: O SILÊNCIO DO SOM DE CEM SONETOS


Primeiro a minha justa homenagem ao Glorioso Exército Brasileiro onde fui Cabo Infante Fuzileiro da 2a Companhia de Canhão Ante-carro do 23o Regimento de Infantaria do 3o Exército, em Blumenau, SC. Hoje, dia 25 de agosto é dia do soldado, comemorado no Brasil nesta data, porque foi nesse dia que nasceu o patrono do Exército Brasileiro, Marechal Duque de Caxias, herói nacional, que venceu a única guerra que o Estado Brasileiro declarou a outro país, afora a mundial. 

Cabo 245 - Tavares

vamos ao poema da secção da série:


À Sandra Maria

Querida, o meu amor é tanto quanto
Meu medo louco de perder-te um dia.
Assim, medo e amor tanto é mania
Quanto o desejo de eu te querer tanto.

E para o meu delírio e meu espanto,
O meu amor é cego, mas confia
No teu amor por mim, Sandra Maria!
Tu és a ave de mavioso canto

Que alegra a minha alma e o meu viver!
Tu és razão de vida do meu ser!
És o meu sonho, meu sentido e fado.

Por isso, o meu amor é um dever
Como se a lei maior. E a bem dizer,
Eu nada sou – sou um ser apaixonado.