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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

CECÍLIA MEIRELES

      


Em novembro comemora-se as datas de nascimento (07/11/1901) e de falecimento  (9/11), da jornalista, pintora, professora e escritora (poesia, prosa, conto, crônica) brasileira, Cecília Meireles. 
      Ela, aos três anos de idade, com a perda da mãe, passou a morar com a avó materna, Jacinta Garcia Benevides - portuguesa nascida na Ilha de São Miguel, Açores. A avó criou a neta com ajuda da babá Pedrina, quem sempre contava histórias, à noite, à pequena e tida como responsável a influenciar muito a garota, ao caminho da poesia.
      Cecília cursou o primário na Escola Municipal Estácio de Sá, Rio de Janeiro, onde ao concluir o curso em 1910 (nove anos de idade), recebeu pelo esforço e excelente desempenho "com distinção e louvor", das mãos do grande poeta Olavo Bilac, Inspetor Escolar à época, uma Medalha de Ouro que levava o nome do poeta, Medalha Olavo Bilac. Nesse período, já chegou a escrever seus primeiros versos, além de estudar canto, violão e violino no Conservatório Nacional de Música, pois, sonhava em escrever uma ópera sobre o Apóstolo São Paulo. Porém, depois se dedicou mais à literatura por perceber que não conseguiria se empenhar com perfeição a tantas atividades simultaneamente. Aqui deixo um poemeto à artista com as devidas escusas pela qualidade dos versos, aquém do merecimento da insigne poetisa. Deixo também uma estrofe em décima postada em comentário de blog versando matéria da artista em foco.

Obra de Cecília - estudos do folclore

Cecília Meireles - a Vênus da Poesia 
                                  Autor: Laerte Tavares.


Oh Vésper de esplendor,
O teu fulgor contagia,
Dá luz para a poesia,
Potencializa o amor!

És a sentimental flor
Que em sentimento irradia
A luz do amor, por via
De teus matizes e cor.

E assim ao nosso universo
Teu sentimento é disperso
Em versos com maestria.

Desculpe o meu pobre verso
Que a ti eu faço, diverso
Do teu onde há poesia.


Comentário:

A humilde professora
Do doce ensino infantil
Fez despertar o Brasil
Com a sua avassaladora
Poesia, que ela a doura,
Para uma nova jornada
Da arte já consagrada.
Dando novo toque à arte 
Cecília a ungiu com parte
De parte da sua vida.
                         Laerte Tavares.


50 comentários:

  1. Cecília Meireles... uma das minhas poetas preferidas, que homenagem linda, essa sua Laerte!
    E como disse Paulo Mendes Campos, 'não há poeta moderno em língua portuguesa mais harmonioso do que Cecília Meireles'.
    Ao perder sua mãe aos 3 anos, e com outras perdas familiares teve uma certa intimidade com a morte, onde aprendeu a relação entre o efêmero e o eterno. Entre seus inúmeros poemas, toca-me bastante "Como se morre de velhice".
    "Já não se morre de velhice
    nem de acidente nem de doença,
    mas, Senhor, só de indiferença".

    Parabéns por essa partilha tão linda. Sobre suas obras pictóricas gosto muito; era completa.
    Abraços daqui dos pampas, meu amigo!

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    1. Grande sensibilidade a sua, amiga! Realmente, Tais, o efêmero nos parece eterno e o eterno nos parece efêmero. Só temos noção exata de um bem, quando o perdemos. Cecília foi de uma sensibilidade, que nos comove, parecendo ser a eterna criança, que enxerga mais com o coração que com a razão. Grande abraço. Laerte.

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  2. Laerte, a nossa Cecília Meireles sempre nos encantará com os seus poemas. A tua homenagem a ela, com o teu soneto, que tem por título “Cecília Meireles – a Vênus da Poesia”, diz bem da tua admiração pela poetisa e do teu talento de poeta. Uma homenagem justa, uma luz para que outras pessoas, os jovens principalmente, enxerguem esse nome luminoso da poesia brasileira, Cecília Meireles, que a representa tão bem. Parabéns pela excelente postagem.
    Grande abraço. Pedro.

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    1. Muito obrigado, meu amigo! Cecília foi e é "A CARA", como diriam os jovens "do hoje" que dizem "mandar bem". Mas há jovens com bastante sensibilidade. Conheço bastante deles que "curtem poesias requentadas" e não gostam das modernas. Cecília é, pois, a luva que serve "de bandejas" essa turma que me refiro. Grande abraço. Laerte.

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  3. Cecília Meireles, é uma das minhas poetizas preferidas, e uma das primeiras a figurar no meu espaço.
    Grata pela sua visita e pelo poema.
    Um abraço e bom Domingo

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    1. Oi Elvira, grande sensibilidade a sua. Que bom que também prestou homenagem em seu blog a essa insigne figura. Ela é extraordinária, e o que mais me comove é o seu lado infantil. Foi a mim também, entre os poetas que tive contato, ela, a poetisa do meu curso primário já no beabá, que conheci primeiro, em que uma coleguinha minha tomou um texto para recitá-lo como dever de aula. Minha gratidão e meu abraço cordial. Laerte.

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  4. Gosto imensamente da Cecília... uma graciosa poetisa, intensa e verdadeira, singela e profunda...
    Obrigada pela visita no Sedimentos.
    Um beijo

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    1. Oi Teca, gostei imensamente de seu espaço Sedimentos. Voltarei mais vezes. Cecília é a unanimidade - a excelente entre os excelentes. Parabéns! Minha gratidão. Abraço cordial. Laerte (Silo).

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  5. Oi Silo,
    Você não caiu no meu simples poema(blog infanto juvenil) de paraquedas, apenas entrou no meu blog errado o qual lhe chamei. Fiz um comentário do meu blog principal: Lua Singular. Você não respondeu, isso me entristeceu, peguei seu nome no Blog da Carmen e com a força mental que tenho você caiu aqui, só que queria que queria no Blog Lua Singular, blog de adultos.
    É um blog eclético, pois cada um tem seu gosto.
    Você é um poeta de verdade, tem algum livro editado?
    Abraços
    Minicontista2

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    1. Oi Dorli, já estive no "Singularíssima Lua", que conhecia de longa data. Lindo, lindo - apetitoso. Parabéns! Que bom que gostou da minha postagem e poema. Do lado direito do meu blog há livros que foram editados com poemas narrativos e num deles "Ilha de Idílios" há sonetos homenageando nossa linda Ilha de Santa Catarina. As edições físicas, segundo a Universidade, estão esgotadas mas há edições eletrônicas para e-books na plataforma Amazon - é só clicar neles que abre o site. Dá uma amostra e pode ser baixado em PC também.
      Minha gratidão pela atenção. Abraço cordial. Laerte (Silo).

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  6. Oi Silo
    Tive alguns problemas, você irá perceber se retroceder a leitura até a rosa murcha. Tirei os comentários, continuei escrevendo, mas só amanhã irei reabrios comentários dos dois blog
    Inté
    Abraços
    Minicontista2

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    1. Aguardo e lá estarei, se Deus quiser! Tudo de bom. Abraço grande. Laerte.

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  7. Olá, amigo Laerte!

    Já sabia alguma coisa da vida dessa grande mulher e escritora, k tem raízes nos Açores, através de sua avó. Sabe, eu até há 6/7 anos pensava k ela era Portuguesa, devido à forma como se exprime e ao Português por ela usado (não estou "puxando a brasa á minha sardinha", mas era isso k sentia, de facto).

    É uma das minhas poetisas favoritas, para lhe falar com toda a sinceridade. A acho mto consentânea, inteligente, sensível e terna.

    Os versos, k você lhe dedicou não estão "fraquinhos", não, antes eles mostram, e mto bem, todo o apreço k por ela sente. "Vésper de esplendor" não é para toda a gente e o significado dessa expressão é usada por um grande poeta e escritor como você é.

    Mto agradeço visita e exagerado comentário, no meu blog, querido amigo!

    Um cordial abraço e boa semana.

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    1. Oi Céu, é uma honra, uma poetisa tão ilustre, no meu humilde espaço a falar de outra referência poética - Cecília - a Vésper. Mas você também é uma estrela Vésper ou talvez, mesmo, um céu estrelado a iluminar nosso universo da poesia, tão carente da sinceridade poética em ser um todo por inteiro, sem maquiagens ou máscaras que às vezes quando se quer tirar, ela já se encontra grudada à cara, como dizia Fernando - o papa dos papas. Você é autêntica, Céu e tão congruente quanto ela. A coerência artística de Cecília, advém, creio eu, dela se dar por inteira à poesia, fruto da perda dos familiares em tão tenra idade e sentir a efemeridade do mais sacrossanto - o amor filial. Quanto à confusão sua de ela ser portuguesa, é perfeitamente compreensível. O Brasil é um continente humano onde há muitas genialidades em diversos ramos, porém a nossa poesia é representada por descendentes portugueses. Música erudita, alemães e italianos e popular o africano dá um banho nos demais. Céu, minha gratidão por vir cá e irei lá quantas vezes sentir o desejo de sonhar. Grande abraço. Laerte.

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  8. Oi Silo,
    Adoro Cecília Meireles
    Já liberei os comentários
    Não sei com seguir quando está escrito: parar de seguir( ensina-me, tenho o contato no Lua). Aqui consegui seguir só com o Lua
    Abraços
    Lua Singular

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    1. Oi Lua, muita gente reclama que não consegue seguir pelo blog e apenas pelo G+ conseguem - vá ao G+. É realmente, Cecília Meireles foi e é Monumental Poetisa. Ela deu-se por inteira à poesia - é maravilhosa. Grande abraço. Laerte (Silo).

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  9. Cecília Meireles uma referencia no panorama literário de língua portuguesa.
    Gostei da designação que o Laerte Tavares dá "A Vénus da Poesia".
    Um abraço e boa semana.
    Andarilhar

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    1. Mestre Francisco, prazer em tê-lo em nossa casa! Minha gratidão. Sim Francisco, ela foi uma estrela Vésper (Venus), foi a beleza da Vênus De Milo e foi vênus - a imagem de uma mulher bonita (mais espiritualmente que física). Estrela que iluminou nossa poesia de língua portuguesa, assim como há outros luzeiros a dar luz à poesia, feito ao nosso amigo Francisco com seu contributo. Meus parabéns pelo que escreve. Abraço grande. Laerte.

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  10. Ela também tinha um profundo interesse pela poesia infantil, meu preferido é Leilão de Jardim...

    Quem me compra um jardim com flores?
    Borboletas de muitas cores,
    lavadeiras e passarinhos,
    ovos verdes e azuis nos ninhos?

    Quem me compra este caracol?
    Quem me compra um raio de sol?
    Um lagarto entre o muro e a hera,
    uma estátua da Primavera?

    Quem me compra este formigueiro?
    E este sapo, que é jardineiro?
    E a cigarra e a sua canção?
    E o grilinho dentro do chão?

    (Este é o meu leilão.)

    Cecília Meireles

    Mari Rocha - rocaterapia.blogspot.com

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    1. Oi, linda Mari! Seu espaço é maravilhoso e agora devo saber de onde veio tamanho gosto para suas lindas postagens - vem de sua verve poética. Você é uma poetisa com a alma de Cecília, mas compõe em outra dimensão - figurativamente compõe com a enxada... O poema que aqui expõe, é a sua praia... flores, borboletas, passarinhos, caracóis, lagartos, hera, sapo... e culmina com a canção de fim de uma tarde de verão, onde as cigarras embalam o sonho tardio para ser renovado ao travesseiro. Parabéns, poetisa! Minha gratidão pelo privilégio de contar consigo ao alcance de minha alma. Abraço fraterno. Laerte (Silo).

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  11. Quem não gosta de Cecília Meireles?!
    Uma sensibilidade derramada em poemas perfeitos que emocionam...
    Também gostei da sua vibrante homenagem de devoto admirador...
    Abraço, Laerte.
    ~~~~~~~~~

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    1. Valeu, Majo! Obrigado! Ela também, teve descendência açoriana. Veja, pois, "gente boa como nós, vem de lá." Esse é um dizer dos açorianos daqui quando afrontados por descendentes italianos ou alemães. Foram essas três etnias que colonizaram o nosso Estado de Santa Catarina. Grande abraço. Laerte.

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  12. OI LAERTE!
    UMA BELA E MERECIDA HOMENAGEM À CECÍLIA MEIRELES, ABRILHANTADA POR TEUS VERSOS.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  13. Oi Zilani, Muito obrigado! Cecília foi e é maravilhosa. Gosto demais de seus poemas. O teu poema também, Zilani, está muito bom. Parabéns! Nasce-se com um hino... Grande abraço. Laerte.

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  14. Um nome incontornável nas letras em português.
    Um abraço desde Macau

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    1. Minha gratidão e manifestação de apreço a si e ao seu maravilhoso espaço na web com um lindo blog. Voltarei lá mais vezes. Abraço fraterno. Laerte (Silo).

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  15. Agradeço a visita e as palavras lá deixadas.
    Gosto muito dos pemas da Cecilia Meireles, por vezes encontro pequenos textos tirados de livros ou poemas dela. Pequenos em tamanho, mas tão grandes em sabedoria...
    Um bom resto de dia
    Pinta

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    1. Obrigado, Pinta Roxa, por esta visita. Cecília é realmente divina. Seus pequenos poemas são intensos. Seu blog é maravilhoso. Parabéns! Laerte (Silo).

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  16. Vim novamente ver,ler o teu espaço...Tens boas escolhas... e os teus versos são magnificos...
    Mais uma vez ( porque te respondi no meu blog)agradeço os teus lindos versos ...Adorei

    Bjo

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    1. Que bom ver você por aqui! Isto me exulta e envaidece, em ver tão bela flor desabrochada no meu jardim. Obrigado por gostar de meus versos! Volte sempre como voltarei ao seu espaço. Grande abraço. Laerte.

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  17. Maravilhoso espaço, me enamorei dele. Maravilhosos poemas para maravilhosas leituras. Parabéns!
    Belo dia.

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    1. Edith, muito obrigado pelo elogio! Mas vindo de você, vejo mais como uma gentileza, por estar diante de grande poetisa. Reconheço ser um versejador razoável pela facilidade de ritmo e rima assimilados desde menino, por meu avô que era um excelente declamador e escrevia também e influenciou-me, porém falta-me o componente anímico. Não tenho a alma de poeta e você, tem alma e talento para construir versos. Eu me digo um construtor de versos e a julgo uma poetisa. Parabéns! Minha gratidão e abraço fraterno. Laerte (Silo).

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  18. Bela e merecida homenagem a essa poetisa que nos deixou um maravilhoso legado!!abraços a ti querido Sila.

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    1. Não consegui seguir seu blog - farei um cursinho de informática... Lindo blog. Deixei um abraço lá. Obrigado! Laerte(Silo).

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  19. quem não gosta de Cecília Meireles?! só quem não gosta de poesia, é uma das minhas poetisas (ou poetas) preferidas.
    eu há muito tempo achava que ela era portuguesa, mas depois li algo sobre ela e hoje fiquei a saber um pouco mais do que sabia.
    acho que o seu poema em homenagem à Cecília Meireles, está muito bem.
    aliás eu acho que o Laerte(Silo) tem muita facilidade em inspirar-se no que lê e fazer um poema de improviso, não direi que este foi feito assim, mas é o que eu acho.
    desejo um bom fim de semana.
    beijo
    :)
    PS:procurei seu email mas nao descobri...:(

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    1. Não é só você, Piedade, que confundia a nacionalidade de Cecília. Outros portugueses também assim criam. Isto porque ela está entre os grandes e grandes poetas da língua mãe foram portugueses... Camões, Fernando, Bocage, Sá de Miranda... Dom Diniz... Ela tinha descendência de açorianos. Quando uma gata ganha filhotes dentro de um forno de rua, as crias não serão pães, mas gatos... Brincadeirinha... Realmente, Piedade tenho facilidade como versejador, por ser neto de um também descendente açoriano apaixonado por poesia e grande declamador... influência... porém me falta a alma do poeta e eu digo ser um engenheiro construtor de versos. Se gostar de ritmo e rima esteja comigo, mas poesia não procure nos meus versos que não irá encontrar. Abraço grande. Minha gratidão. Laerte.

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  20. Cecília sempre maravilhosa,adoro! Obrigadão pelo carinho lá e desejo tudo de bom! Até janeiro,se Deus quiser!abraços, chica

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    1. Chica, você é um deus ou anjo a visitar meu espaço e a prestigiar o blog. Sentirei a ausência até janeiro. Grande abraço. Laerte(Silo).

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  21. Delicadamente Cecília. Sempre Mulher e Poesia a brilhar!
    Grato pela visita, abraço.

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    1. Obrigado, Delfim! Feliz com alguém do Minho por aqui. Lembrei de Bom Jesus (é isso ?) que o carro em vez de descer na subida, a gravidade o atrai para cima? Estive lá. Gostei muito de Braga, principalmente da Igreja. Grande abraço. Laerte.

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  22. Gosto muito da doce poesia de Cecília, há um tempinho atrás quando li sua biografia e que ela estudou na Escola Estácio de Sá no Rio de Janeiro,fiquei pensando que esta escola que virou faculdade, deveria receber o nome desta excelente escritora e poeta. Mas lembrei-me também que os brasileiros não sabem valorizar seus vultos importantes nem preservar nosso passado, ou historia, infelizmente para nós mesmos!
    Amei sua postagem.
    beijinhos, Léah

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    1. Oi Léah, grato pela visita. Li sua crônica a a vejo uma cidadã responsável pelos destinos de nosso meio. A mãe sem educação do Shopping tirou-lhe do sério e o descaso com nossas instituições, vejo que também a tira. No Brasil atual nome de monumentos é para nome de políticos, e se nossa nau não tivesse derivado de rumo, era até possível trocar Estácio de Sá por Eduardo Cunha, Cabral ou Garotão da Rosinha... É triste. Abraço cordial. Laerte.

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  23. Amigo Laerte,
    Sou admiradora da sentida e doce poesia de Cecília Meireles, os seus poemas tocam-nos no fundo da alma.
    Já tive o prazer de publicar alguns no meu blogue.

    O poema lindo que lhe dedicou mostra bem a sua admiração pela poeta e pela mulher.

    Um beijinho e boa semana


    Canção Mínima

    No mistério do sem-fim
    equilibra-se um planeta.

    E, no planeta, um jardim,
    e, no jardim, um canteiro;
    no canteiro uma violeta,
    e, sobre ela, o dia inteiro,

    entre o planeta e o sem-fim,
    a asa de uma borboleta

    (Cecília Meireles)

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    1. Lindo, lindo, Fê! Maravilhoso. Eu o tinha visto na juventude e perdido à distância. Muito obrigado por trazê-la a mim de volta! Quando conheci o poema não tive ideia da dimensão e neste preciso momento tenho noção de sua magnitude - eis um espaço infinito, eis um planeta pequeno, um jardinzinho modesto, um canteiro de uma flor minúscula e entre o mundo e a flor, uma linda borboleta, objeto da minha observação e amor. Obrigado, Fê. Meu abraço. Laerte.

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  24. Acho que nós que nos lançamos neste mar da poesia, temos uma admiração e carinho especial por Cecília e assim seu soneto, vem com uma justa e merecida homenagem.
    Aplausos para voce e Cecília que vive a nos inspirar.

    Meu terno abraço de paz.

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    1. Toninho, dizem que o último degrau da sabedoria é a simplicidade e Cecília foi simples demais quando queria ser. Creio que ela foi mais do que sábia, foi de uma alma angelical tão enorme que coube a simplicidade junto com a ciência de seu saber magistral. Veja poemas dela acima: há um lagarto, um sapo, um grilinho, uma borboleta, um passarinho.... E eis sua poesia! Maravilhosa. Grande abraço. Laerte.

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  25. Cecília Meireles é uma referência. É uma poeta que nos põe a ler poesia com o coração.
    Há uma história engraçada - não sei se é realmente verdadeira - que conta que, quando Cecília veio a Portugal, tinha um encontro marcado com Fernando Pessoa na "Brasileira". Consta que ela esperou duas horas, mas que ele nunca apareceu. Mais tarde, ele enviou-lhe o seu livro "Mensagem" para o hotel, explicando-lhe também num bilhete o motivo pelo qual não tinha comparecido ao encontro: tinha lido o horóscopo e este desaconselhava-o aque tivesse encontros nesse dia. :)
    Eu gosto de encarar Cecília Meireles, tal como Clarice Lispector (que eu venero), entre tantos outros poetas, escritores e músicos brasileiros, como criadores da língua portuguesa. Já Cecília Meireles dizia: "Não queiras ter Pátria./Não dividas a Terra."

    Um abraço, Laerte

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    1. Obrigado, Miss Smile! Consta ser verdadeira a história do encontro marcado e frustrado. Como todo o gênio, creio que Fernando também caminhava em um fio tênue que divide a genialidade da loucura. Ele era um místico supersticioso, e não por maldade, creio, mas demovido pela insegurança de suas crenças deixou de comparecer ao encontro, o que frustrou profundamente a nossa sonhadora Cecília - o encontro com o mago das palavras e imagens. Aconteceu comigo situação semelhante. Eu e amigos combinamos encontro com Vinicius de Moraes e ele não compareceu. Veja meu relato em postagem anterior - encontro com Vinicius. Minha gratidão. Abraço cordial. Laerte.

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  26. Leitor de Cecília, escolho um dos poemas mais lidos da sua lírica, como uma pequena contribuição para este espaço.

    REINVENÇÃO

    A vida só é possível
    reinventada.

    Anda o sol pelas campinas
    e passeia a mão dourada
    pelas águas, pelas folhas...
    Ah! tudo bolhas
    que vem de fundas piscinas
    de ilusionismo... — mais nada.

    Mas a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Vem a lua, vem, retira
    as algemas dos meus braços.
    Projeto-me por espaços
    cheios da tua Figura.
    Tudo mentira! Mentira
    da lua, na noite escura.

    Não te encontro, não te alcanço...
    Só — no tempo equilibrada,
    desprendo-me do balanço
    que além do tempo me leva.
    Só — na treva,
    fico: recebida e dada.

    Porque a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Forte abraço, meu caro Laerte!

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    1. Oh meu irmão, muito obrigado pela contribuição! Devo confessar que se já havia lido este poema, passei por ele "de porre", pois não me lembro dele e fico desapontado por ser tão maravilhoso e eu não o conhecer. Minha gratidão, Sant'Ana. Você sempre a me abrir os olhos como com o poeta Espinheira. Grande abraço. Laerte.

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