Com grande pesar, este blog que se propõe ser
um blog literário, neste dia vem comunicar o falecimento ocorrido na última
quarta-feira, e convidar para a Missa de Sétimo Dia de Antônio Carlos Konder
Reis, sem deixar de postar ao mesmo tempo, um dos textos literários escrito há
algum tempo por Dr. Antônio que era membro da Academia Catarinense de Letras;
meu vizinho, grande amigo de elevada estima e consideração e um político bem
quisto não só em nosso Estado, mas em todo o território brasileiro por ter sido
ele, o relator da última Carta Magna ou Constituição Brasileira de 1988. Antônio Carlos Konder Reis nasceu em Itajaí,
SC em 16/12/1924 e faleceu em 12/06/2018, em Itajaí, SC, filho de Oswaldo dos
Reis e Elisabeth Konder Reis, irmão do poeta Marcos Konder Reis e sobrinho de
Adolfo Konder, Arno Konder, Vítor Konder e Marcos Konder, figuras de destaque
nacional. Antônio foi um dos maiores estadistas brasileiro e advogado por
profissão, participando, em 1946, do
Congresso Nacional dos Estudantes, sendo eleito secretário de intercâmbio da
União Nacional de Estudantes. Foi deputado à Assembleia Legislativa de Santa
Catarina na 1ª legislatura (1947 — 1951) e na 2ª legislatura (1951 — 1955). Elegeu-se
deputado à Câmara dos Deputados por Santa Catarina na 40ª legislatura (1955 —
1959) e na 51ª legislatura (1999 — 2003), senador (1963 — 1975),
vice-governador do Estado de Santa Catarina (1991 — 1995) e governador de Santa
Catarina (1975 — 1979) e em 1994. Era membro da Academia Catarinense de Letras,
empossado na cadeira 22 em 30 de março de 1983. Homem público exemplar,
notabilizando-se por sua retidão de caráter e honestidade, orgulho para seus
compatriotas. Ele era de uma
simplicidade impar em que preferiu viver seus últimos vinte anos de aposentadoria,
morando até sua morte aos noventa e três anos de idade junto a pescadores
artesanais em uma casinha modesta à beira do mar em Armação do Itapocoróy,
Penha, SC, onde éramos vizinhos. Dedicava-se quase que exclusivamente à
leitura, à escrita, à religião católica e ao convívio com os amigos locais. Desde tenra idade tinha adoração pelos textos de Tolstoi, enquanto seu
irmão, Marcos Konder Reis, grande poeta brasileiro, tinha admiração por Dostoiévski.
Antônio Carlos, orador emérito e escritor meticuloso no trato da língua portuguesa
e da palavra bem empregada, escreveu diversos textos magníficos. Vejam este a
seguir, de Antônio Carlos Konder Reis:
Poemas, Contos, Crônicas... Este “silo de armazenamento” não estoca o lirismo, mas o distribui, em forma de poemas, ao consumo de ávidos(as) pela doçura da vida!
domingo, 17 de junho de 2018
terça-feira, 5 de junho de 2018
MANEZINHO DA ILHA
OBRA DE RODRIGO DE HARO PARA O LIVRO "CANOAS VENTOS E MARES" DE LAERTE TAVARES
Na Ilha de Santa Catarina o antigo ilhéu
nativo, de origem portuguesa é de característica notável por seu desprendimento
material, bonachão, simples e com um linguajar peculiar, que o notabiliza em meio
à população, falando um português açoriano arcaico de linguajar rápido; e
mantém ainda, o secular espírito do pescador artesanal gozador. Até bem pouco
tempo, letrados julgavam-no simplório, porém hoje, o Manezinho (figura cada vez
mais rara), como é chamado carinhosamente, é indivíduo proeminente e venerado
pelos demais habitantes. Assim, todo mundo
quer ser um “manezinho da ilha”. A Prefeitura local estabeleceu um dia do ano
comemorativo a essa figura especial, sendo o tal dia consagrado a ele, o
primeiro sábado do mês de junho, que neste ano caiu no dia dois. Isso para não
esquecermos essa “espécie” rara que não poderá ser extinta ou esquecida e nós
temos o dever de dar visão ao manezinho. Junto ao ilhéu vive também o gaúcho rio-grandense
do sul, outra figura folclórica, caracterizada por “macho de faca na bota”, feito
a imagem do valentão destemido, e consta que um deles, certa vez, quis gozar de
um mané e o “pau pegou”. Por homenagem ao Dia do Manezinho, fiz alguns versos
referentes a essa façanha.
CANTIGA AO DESAFIO ENTRE MANEZINHO E GAÚCHO
Eu sô Mané i nô nego.
Mas não sô burro nem cego
Como tu pensa, istepô!
Não entisica, qu’eu brigo!
Sô amigo dus amigo.
Não caçoe, pur favô!
Pos tu, a modi qui qué
Fazê qui eu sô zé mané...
E mi dexa incanzinado
Pra briga, seu disgramado!
Mas cuaal tchê?
Você não vê
Que amo o sotaque teu?
Sou gaúcho de respeito!
Eu ademiro o teu jeito
De não falar como eu.
Até já sou manézinho,
Bebo o café com o vizinho
Em lugar do chimarrão...
E ando até de pé no chão.
Então: enche teu pandulho
Di tainha cum dibulho
I a inhapa di cachaça...
I vê si não mi arrenega!
Si não ti dou uma esfrega
Pra ti mostrá minha raça.
Não mi vem cum arremedo!
Di macho, não tenhu medo!
I não mi arrenegui más,
Qui já tô di pé atrás.
Mas bah, eu ti-ve o a-zar
De assim eu pro-nun-ci-ar
Teu so-ta-que especiaal...
Que-ro que sa-i-bas amigo,
Qui me dou tão bem con-ti-go,
Qui, sem querer, fa-lo iguaal.
Eu a-de-miro o teu je-i-to
Por ser um amigo do pe-i-to.
Ti guardo no coração
Como se fosses irmão.
A modi qui, intão, gaúcho,
Adiscurpa! Eu disimbucho
Quandu mi tiram du sério.
I sou um lobo do mar,
Possu insinar-ti a pescar
Como pretendis, gaudério!
Disarrisca o qui ti disse:
Eu fui tanso, foi tolice
Di um Mané arreliado.
Adiscurpa, i obrigado!
Eu que agradeço, meu rei
Por me desculpar, nem sei
Te agradecer, guasca macho!
Tu me deixastes sem graça,
Sem tu de amigo na praça
Fico com cara de tacho.
Porém, agora eu já sei
Que sou amigo do rei
Desta fabulosa ilha
Que tanto me maravilha!
Gosto de te ver na venda,
Deixo em casa minha prenda
E venho beber contigo.
Tu és um amigo que eu gosto
Não duvido, mas aposto,
Que concordas com que eu digo.
Vamos beber mais um trago
E esquecer de tudo, agora.
Deixa que a cachaça eu pago...
Saúde por vida afora!
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