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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

UM FADO DO BRASIL PARA A ILHA TERCEIRA

A pedido, posto, neste espaço de poesias, uma letra de fado do Romance As Armas, e Alma do Poeta - à página 267, publicado recentemente, de minha autoria.


A MINHA ALMA DE AÇOR

A minha alma de açor
Ao céu sobre os oceanos,
Com garras de predador
E sentimentos humanos,

Vaga no espaço enorme
Como um marujo ao leme
Que sonolento não dorme,
Porque a sua alma teme
Perder o rumo conforme.

E sobre diversos mares,
Tem procurado seu bem.
Ouve diversos cantares,
Mas nunca ouviu do além
O que o atraísse dos ares.

Meu coração sedutor
Se fez alado e no ar
Buscava a alma do açor
Com voz terna a entoar
A ele um fado de amor.

Quando o açor, na amplidão,
Escutou o som do fado,
Deixou de ser gavião,
Fez-se um pombinho predado,
Cantando a mesma canção.

Hoje, minha alma é fadista,
Meu coração é também,
De qualquer ponto de vista,
Por fado minha alma tem
Garras de amor à conquista.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

MARCOS VINÍCIUS DE MORAES - O GRANDE POETA


Em dezenove de outubro de um mil e novecentos e treze nascia na Gávea, Rio, o nosso "Poetinha" como se autodenominava. Durante os anos sessenta de mil e novecentos, eu frequentava a cidade maravilhosa e meu círculo de amizade contava com o grande poeta Marcos Konder Reis, do departamento de cultura do Itamaraty (que ainda não havia ido para Brasília), xará, amigo e colega de trabalho do Vinícius. Para fazer-me um agrado e matar minha curiosidade os dois marcaram encontro em um barzinho da Barra da Tijuca, onde nós três e outros amigos iríamos degustar camarões ao bafo. Vieram as caipirinhas, os crustáceos, menos Vinícius, cujo amigo seu, retardatário, nos informou ter ele tomado um foguete à hora do almoço e adernado à tarde. Frustrado, enchi a cara também. Porém, eu o conheci de perto nas pessoas de seus amigos. Diziam ser um amigo de fidelidade canina - grande praça.
   Amália Rodrigues e Vinícius eram amicíssimos.  Veja postagem: AMÁLIA E VINÍCIUS

Marcos Vinícius de Moraes,
"Poetinha"- o imortal,
No Brasil e em Portugal
És o grande entre os iguais!

Para Amália e outros mais
Eras o mais genial 
Compositor musical
De letras, entre os mortais.

Poeta e compositor,
Neste dia em teu louvor,
Ergo a ti a cheia taça!

Quero sorver o licor
E a esta taça depor
Sozinho, que a vida passa...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

DIA DO MÉDICO



Nasci à beira do mar, no seio de uma comunidade baleeira tricentenária, Armação do Itapocoróy, Penha, SC. Convivi com pescadores humildes de pouca instrução, mas sábios, pela convivência com o oceano imprevisível, em que só os fortes sobreviviam em suas fainas. E aprendi com um dos mais velhos deles, que disse: “Silo, o difícil é aprender a ler, o resto está nos livros.” Depois, me deparei no último ano de engenharia dividindo um apartamento em Porto Alegre com Ênio, sextanista de medicina que falou: “Laerte, o difícil é diagnosticar, o resto está nos compêndios.” Mesmo nas Exatas, eu aprendi com ele os diagnósticos mais difíceis, a começar pelo de apendicite. Hoje, dia do médico, homenageio na pessoa do Doutor Ênio Ribeiro, com um poema, os profissionais da saúde, inclusive uma filha minha, pneumologista.  



Dia do médico é dia
De homenagem a medicina
E a vocação mais divina
Que há. Equivaleria
Ao médico ou à sua porfia,
Um sacerdócio de Deus;
Até para os ateus,
É tido por chamamento
Como se um sacramento
Alheio aos princípios seus.

O médico é, para mim,
Igual a um semideus,
Pois ante aos olhares seus,
Minha aflição já tem fim.
Por isso, eu o encaro assim
Feito um anjo redentor
De qualquer ente que for
A ele submetido
Para a cura do tecido
Humano, ou por qualquer dor.

Que o Esculápio o proteja!
Hipócrates, dê inspiração
E ilumine a profissão
No caminho que ela enseja!
Para o meu Deus, na igreja,
Vou ir ao pé do altar
E lá, Lhe pedir, rezar
Por essa classe bendita
E nobre, em particular.

Salve a medicina e o dia
Do médico, por excelência!
 Salve o médico e sua ciência!
Glória Deus que a ele alumia!
Glória ao seu anjo ou seu guia!
E um viva à abnegação
Desse herói, que em plantão,
Deixa seu lar e a família
Muitas vezes de vigília
Pela preocupação!

Exaro um depoimento
De amor e de gratidão
Ao ilustre cidadão
Sacerdote, em juramento,
Da vida, e guardião atento
Dela, em preclara nobreza;
De mente aberta e acesa
Em alcance ao paciente,
Que muitas vezes é gente

Humilde, em pobreza extrema!