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quarta-feira, 29 de junho de 2016

SÃO PEDRO PÓS-GRADUADO EM SANTIDADE


SÃO PEDRO 

Mais uma vez falar da minha terra a evocar amigo da tenra infância para versar sobre São Pedro, padroeiro dos pescadores, profissionais que formam a grande maioria dos habitantes do referido lugar, Armação do Itapocoróy, Penha, Estado de Santa Catarina. Armação tem por padroeiro São João, mas São Pedro é tão importante que a festa comemorativa do padroeiro é a São Pedro e São João. Pedro vem antes.
Pois bem, o amigo Toninho era um garoto peralta, irrequieto e incorrigível, até aos doze anos, mais ou menos. Mas de um apego inquebrantável a São Pedro e dizia ser seu fiel companheiro. Quando adolescente foi um destemido brigão, porém temente ao santo. Quando adulto, o mais intrépido marinheiro, o melhor mestre ou patrão de pesca entre seus pares do litoral catarinense e de São Paulo. Continuava farrista, beberrão, destemido e valente respeitado, que diante do nome São Pedro virava um gatinho manso. Foi um dos pescadores que ganhou mais dinheiro entre todos os contemporâneos seus e nunca guardou um centavo. Afirmava que Jesus disse: “pobre pescador...” E comentava: Eu nunca vi um pescador rico. Vocês já viram? Nós pescadores somos predestinados a sermos pobres. É profecia de Cristo. Então dizia querer ser sempre como São Pedro, pobre. E se ganhasse demais, haveria a necessidade de esbanjar em gastos para não correr o risco da presunção e avareza. Por isso, foi o terror dos mares por sua capacidade de pescar, e dos portos pela devassidão, bebedeiras e valentia que faziam-lhe ser um temor aos presentes pela imprevisibilidade das situações. Porém, se falasse em Pedro, era um cristão sem par. Por São Pedro eu lembro dele e por ele, lembro São Pedro.
Já o Apóstolo Pedro fez-se cristão quando emprestou sua barca a Jesus Cristo para pregar às margens do Mar da Galiléia a uma multidão que o cercava na praia. E em troca do empréstimo, Jesus sugeriu que ele pescasse em águas mais profundas, cujas ondas bravias do mar, foram amansadas, e Pedro, seu pai João, seu irmão André, bem como Zebedeu e Tiago, ao içar a rede viram tanto peixe a quase rompê-la, dado o tamanho lanço em volume e peso do cardume capturado. Desta feita, Pedro ajoelhou-se diante de Cristo e pediu-lhe que se afastasse de si, por considerar-se um homem pecador e Jesus o dissuadiu dizendo-lhe que ele poderia vir a ser um excelente pescador de homens, ao que Pedro resolveu segui-lo para ser um dos doze apóstolos, depois indicado a guiar o grupo. Confrontado, negou Cristo três vezes. Mesmo assim, preso conforme ordens de Herodes, acabou sendo libertado por um anjo. Como Bispo e primeiro Papa em Roma, acabou crucificado de cabeça para baixo no ano de sessenta e quatro. À maneira como foi executado, fez-se ao seu próprio desejo como o último pedido, pois recusava-se a morrer da mesma forma que seu Divino Mestre.

Ah meu amigo Toninho!...
O Toninho da Titina,
Criança que era malina
E não tomava caminho...
Lembro-me dele sozinho,
Dizer ser acompanhado
Por seu santo idolatrado:
Por São Pedro – o pescador
Pobre, mas cheio de amor
A ele de alma em pecado.

Dizia que quando em apuros,
Rogava: Sou Pedro meu!
Sou Pedro, não sou ateu!
Me ajude! Eu pago com juros
Até pecados futuros
Que eu cometer, por favor!
Tu és pobre e pescador
Assim como meu pai é,
E se ainda não tenho fé
É por ser criança, Senhor.

Pedro foi o mais humano
Dos seguidores de Cristo.
Foi mais homem, pelo visto,
Do que santo. Foi profano
Convertido. Foi tirano.
Arrependido, fez-se em pranto
Por pecar, e, entretanto,
Escolhido como o eleito
Por Jesus, sendo o perfeito
Homem pecador, mas santo. 

São Pedro foi pescador
E apóstolo se fez.
Foi Bispo em Roma e talvez
Mais importante orador,
Então, Papa do Senhor.
Ele era um palestino
Pescador desde menino
No mar em Cafarnaum,
E tinha com André, em comum,
Um barco e o mesmo destino.

Um dia, os dois pescando
Em águas rasas do mar
Ouviram alguém lhes chamar.
Olharam e foi justo quando
Jesus com grupos em bando
Mais o povo dessa praia,
Como que de atalaia,
Faziam-lhe gesto ou aceno
Pra irem a lugar ameno
Do mar, em tranquila raia.

Pedro conheceu Jesus.
Jesus pediu-lhe a barca
Para uma pregação parca
À multidão que fez jus
Em receber fé e luz
De quem era de Deus, filho.
Pedro ante a luz e brilho
A penetrar sua alma
E o mar bravo, já em calma
Escolheu aquele trilho.



domingo, 19 de junho de 2016

PENHA DOS ANOS QUARENTA



Hoje o município de Penha faz 57 anos de emancipação. Parabéns à minha terra, terra nossa tão amada, terra de meus ancestrais.  


Ah... Penha da minha infância!
Lembrança dos ancestrais.
Carroça de um só cavalo
Com um banco de mola, atrás.
Na estrada de barro e lama
De valetas laterais
Cheias de jasmins floridos.
Parada ao pai do papai
Por trás do balcão da venda
Do vô Antônio Tavares.
Chico Norberto – ferreiro;
Velho Chico Sapateiro;
Seu Salentim – alfaiate.
Quer cartório ou Intendência
Manoel Henrique de Assis.
Telégrafo – Telêmaco ou Bibico Filemon
Com seu Caminho do Arame
Feito do posteamento
De fios condutores de código morse
Tendo como guarda-linha
Seu Zé Vieira da dona Estelita.
Tropeiro de gado – seu Zé Campina.
Ah... Freguesia bucólica de igrejinha do centro!...
Vitor do Nilo – Comércio ao lado rio Iriri
Das embarcações miúdas;
Depois a venda do Abrão,
Miguel Mascate e a ponte
Com barco à vela atracado ao rio.
E ia-se ao Antônio Pires
Do outro lado em Piçarras.
E na volta para casa,
Passagem no homeopata
Na entrada da Praia Alegre.
Volta à Praia da Armação
Já ouvindo o mar na amplidão.

Visita ao avô materno
Caminhando a pé na praia.
Verde e mais verde à direita
E mar sem-fim do outro lado
Limitando a caminhada.
Ali, o João Barra Velha,
Um córrego corta o caminho
E mais verde, verde e verde
De camarinha, arumbeva,
Baleeira em verde crespo,
Altos mané da riola ou caçaranha.
Adiante o João Dipurda
E verde verdes sem-fim feito mar.
José Demício, Emídio;
Verde e açucenas.
Pitangueiras na restinga;
João Vicente e os alemão.
A Praia dos Alemão
Nogueiras frondosas sobre casas
Ricas casas num reduto.
Dona Ana, tio Simsim,
João Bento Rosa e seu Louro;
Miguel Inácio e o seu rio,
Hoje Marina Mestre Dóda,
A extremar com terras de meu padrinho
Domingos Aniceto da Costa
Com pés de caqui aos fundos;
Bastião Mariana, João Silva,
Seu Bernardino com o cambucá centenário.
E a Praia da Cancela, Pedra do Bagre,
Casa vazia branca de vigias redondas,
Grandes aroeiras, casa da Colônia dos
Pescadores sede da escola primária,
Figueiras e bandos de periquitos,
Uma outra grande aroeira
Casa dos Konder fechada,
João Martins, Chico Mariquinha,
Dindinho e vó Agostinha:
Meu reino, meu paraíso,
Meu pomar, meu porto amado,
Meu céu, meu chão e legado.


terça-feira, 14 de junho de 2016

FERNANDO PESSOA


     Ontem dia treze de junho, consagrado a Santo Antônio, também era o dia de aniversário do grande poeta português Fernando António Nogueira Pessoa. Não dá para dizer que foi um poeta português e sim um poeta universal nascido em Portugal. Todos os grandes homens, de certa maneira, não têm nacionalidade póstuma para se tornarem do universo. Dizem os estudiosos que a libido é a energia motriz do instinto de vida de toda a conduta ativa e criadora do homem. Eu creio que essa energia se manifesta sob todos os aspectos e distribuída a todos os afazeres do cotidiano do homem, porém para o animal humano normal, ela se manifesta primordialmente para o universo sexual da criatura. Isso posto, vê-se pessoas expoentes em qual quer ramo da atividade humana serem desprovidas de sexualidade ou sublimam essa libido à matéria que dominam. Fernando Pessoa foi um místico. Sua poesia é atemporal ou eterna pelo conteúdo sublime. E como místico previu a sua morte, sendo o último verso que escreveu, este: "Não sei o que o amanhã trará". Porém o tal verso ele o escreveu em inglês: "Know not what tomorrow will bring." Isto porque Fernando Pessoa alfabetizou-se em língua oficial da África do Sul, país para onde se mudou em tenra idade, quando sua mãe viúva e casada em segunda nupciais com oficial da marinha, teve que residir naquela nação de língua inglesa. 
     Segue aqui minha humilde homenagem ao grande poeta e que ele me perdoe pela insipiência dos meus versos.

FERNANDO PESSOA 

“Não sei o que o amanhã trará”
Foi o que escreveu Fernando
Justa e exatamente quando
A morte estava acolá,

Por trás do amanhã que já
Tinha por glória um bando
De anjos o esperando,
Que só aos eleitos há.

Morreu angelicalmente
Com o tal amanhã na mente,
Sereno, mas duvidando

Do quê que há lá na frente.
E o amanhã trouxe um ente
Eterno que é Fernando.




sexta-feira, 10 de junho de 2016

CAMÕES

HOJE É DIA DE CAMÕES. EM PORTUGAL É FERIADO IN MEMORIAM AO GRANDE MESTRE QUE MORREU EM 1580 E CONTRIBUÍDO PARA HISTÓRIA COMO HERÓI ATUAL. LEMBREMOS, POIS, DE SEUS FEITOS E LEGADO À NOSSA GENTE.


CAMÕES


Grande Mestre Português,
O Luiz Vaz de Camões
Em todas as dimensões
Foi grande – sem pequenez...

Não só nos versos talvez,
Mas sim nas expedições
Ultramarinas, ações
Enormes como as bem fez.

Príncipe da Literatura,
Herói e Rei de aventura,
Que naufragado, detém

Obra de epopeia pura
Presa à boca. A criatura
Salvou vida e obra também.


CAMÕES II

Não chorai na sepultura
Pela sua língua lusa,
Flor do Lácio, que se usa
Não mais da maneira pura,

Qual sua literatura,
Mas bem mesclada e confusa
Feita normas de medusa
Ou outra bruxa mais dura.

Grande mestre, repousai
Sem externar um só ai!
Porque língua viva morre

Ou ressuscita e ainda vai
Como a lusa, oh grande pai,
Vossos versos a socorre!


Camões teve uma vida muito agitada, tumultuada e cheia de embaraços. Em um momento de desolação e revolta escreveu o seguinte soneto muito pouco conhecido, pois só se conhece dele os fatos grandiosos de Portugal.

O dia em que eu nasci morra e pereça,
Não o queira jamais o mundo o dar,
Não torne mais ao mundo, e se tornar,
Eclipse neste passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol o escureça,
Mostre ao mundo sinal de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe o próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida
Cuidem que o mundo já se destruíu.

Oh, gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deu ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu.