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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

“No meu tempo de criança ninguém havia morrido” – Fernando Pessoa (frase) - autor: Laerte Tavares.

 

 

No meu tempo de criança

Ninguém havia morrido”

E eu nem botava sentido.
Tudo me era esperança.

Agora que o tempo avança
E com a lembrança que eu lido,
Eu vejo já ter partido
Todos da minha lembrança.

Estou sozinho no mundo,
Sem pais, irmãos e no fundo
Sei que sou sobrevivente.

Mesmo que falte um segundo
De vida, ainda eu me inundo
De amor, que eterniza a gente.

 

O PRÍNCIPE

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O EQUILIBRISTA

Existia no vale do Rio Tijucas, um trampolineiro de marca maior que aprontou vários embustes na sua região, adjacências e posteriormente transpôs fronteiras com suas trapaças.
Em cidade do Rio Grande do Sul, próxima a Caxias, apresentou-se como mágico, anunciando que cortaria o pescoço de um galo e logo depois o emendaria ao corpo do mesmo, esse daria o seu último canto antes de vir a morrer. Espalhou a notícia do evento e na hora da mágica, o pilantra deixou o juiz de paz segurando o corpo da ave e o delegado com o pescoço do bicho na mão enquanto ele iria buscar o pó mágico, no que aproveitou e fugiu da cidade com o dinheiro da bilheteria, deixando a plateia a sua espera.
Numa outra ocasião, na cidade de Florianópolis, apresentou-se como equilibrista. Fez propaganda que iria atravessar por cima da praça em frente ao Bar Miramar, equilibrado em cima de um fio de arame que penderia com as extremidades amarradas em dois pontos, diametralmente opostos: um no prédio do Banco do Comércio e o outro no Hotel La Porte (onde hoje é a Agência Zininho da Caixa Econômica Federal). Eram os dois únicos edifícios altos da cidade. Feita a propaganda, amarrou um cabo de aço que pendeu por uma semana no local indicado e no sábado à tarde, hora marcada, o artista fez a coleta do dinheiro de uma multidão enorme que afluiu ao espetáculo. Depois de algum tempo, o suposto artista apareceu na cobertura do hotel, sem camisa, arqueado a tremer de frio,  com o seguinte discurso:
- Meus amigos, eu nunca andei em cima de um fio de arame. Fiz isso porque estou passando por necessidades, com a minha mulher para ser operada e eu não tinha de onde tirar dinheiro. Foi, então, que tive esta ideia maluca. Mas se vocês quiserem assistir a minha morte, eu andarei no fio – vocês querem?
 Aquele cabo de aço balançava a sua frente, ameaçador. O pessoal começou a se manifestar. Uns diziam que andasse, pois recebeu para isso e que morresse, mas a maioria dizia que não. Até que os revoltados foram indo embora e o falso equilibrista aproveitava para insistir na pergunta – querem assistir a minha morte? Ando ou não?
- Não, não precisa! A gente compreende! A vida é difícil mesmo! – Gritava a maioria consternada.
O pilantra agradeceu:
- Oh, muito obrigado! Quantas almas boas que existem. Deus vos pague!
E sumiu de cena.
A multidão ia se dispersando cabisbaixa, melancólica e sem ação para uma agressão ao impostor. Passado algum tempo, ele apareceu lá no alto de novo, já muito bem vestido, e gritou:

- Atenção pessoal! Já que este cabo de aço está aqui amarrado e amanhã ser domingo, dia de folga, avisem a quem encontrar no caminho, seus amigos e vizinhos que às três da tarde vai ter matinê. Combinado?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

MIRO O HORIZONTE

Sou velho mas eu miro o horizonte
De onde vem a luz e traz o dia
A mim o horizonte é uma magia
A me ligar a Deus como uma ponte

O mistério do belo que há defronte
Transporta-me a ele e a fantasia
Faz-me a alma plena se tornar vazia
E na vazia mente ter um monte

De indagações e a mente pois se acalma
Um monte de razões pra ter na alma
Uma paz sem limite quer ou não

Eu vejo haver no céu a minha palma
Por ver o dia vir com toda a calma
Que acalma a alma e meu coração.

 

FLORIANÓPOLIS - VERÃO

Florianópolis – Verão.

Verão surfes de atalaia,

Meninas, a minissaia

E a beleza da estação.

 

A ilha, por vocação,

Tem os encantos da praia.

São muitas, de alta laia,

Divinais, de alto padrão.

 

Todos os anos, janeiro,

O meu destino praieiro

É Floripa – a bela ilha.

 

Volto ao fim de fevereiro.

Quando termina o dinheiro,

Deixo aquela maravilha.