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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Viva São João












Hoje é dia de São João Batista, o maior de todos os profetas, que veio antes de Cristo e o batizou nas águas do Rio Jordão. Não confundi-lo com São João Evangelista que foi discípulo de Cristo, nem com São João Damasceno, de seiscentos da era cristã, doutor da Igreja de Cristo que a defendeu dos iconoclastas, aqueles que faziam apologia e doutrina para quebrarem as imagens sacras por não acreditarem nelas.
Em minha terra natal, Armação do Itapocoróy, Penha, SC, a festa de São João Batista, o padroeiro da localidade praiana, cuja capela beira os trezentos anos de existência, é a mais comemorada de todas, afluindo, desde tempos quase imemoriais, todo o pessoal da circunvizinhança para abrilhantar as cerimônias festivas, culminando sempre em magnífico evento. Um dos baluartes dessa festa era a saudosa e folclórica figura do tenente Milton Fonseca, expedicionário, natural da Laguna, SC, casado e radicado em nossa terra, à qual serviu com presteza, orgulho e carinho. Seu Milton foi o homem que trouxe Tonico e Tinoco, de graça, para abrilhantar uma dessas festividades nos idos de mil novecentos e cinquenta. No dia cinco de julho de dois mil e quatorze, morreu esse herói da segunda guerra mundial, nosso herói  e herói de nossa terra também, com noventa e quatro anos de idade. Eu devo muito à figura citada à qual fui sempre muito grato.
         Esperamos que neste ano, mais uma delas sem o saudoso Milton Fonseca, em comemoração neste dias, seja excelente também, como foram tantas outras. Parabéns Armação! E viva São João!

SÃO JOÃO 

Prima da Virgem Maria,
Santa Izabel prometeu
Que ao nascer o filho seu,
Uma fogueira faria,
Se fosse à noite. Se dia,
Punha um boneco de pano
Sobre um mastro soberano
À certa altura, evidente
À visão dessa parente,
Para o enxergar sem engano.

Em certa noite um clarão
Deixou tudo iluminado
Como o teor do recado
Da vinda de São João,
O esperado varão
Que Zacarias, o esposo,
O aguardava ansioso
Por ser profeta, talvez,
Pois a profecia fez
O tal augúrio ditoso.

E instituiu-se a fogueira
A celebrar São João
Como fiel tradição
Religiosa, à maneira
Daquela feita, a primeira
Por Zacarias, festivo,
Que se tornou o motivo
De nossa celebração
A festejar São João
Com o fogo aceso e altivo.

Vinte e quatro foi o dia
E junho, pois, foi o mês
Em que Zacarias fez
A fogueira que ardia
Para mostrar à Maria
Ter chagado o seu varão,
O profeta São João
Que depois batizou Cristo,
Conforme estava previsto,
Às margens do Rio Jordão.

Então, viva a São João,
À Izabel e Zacarias!
Viva à festa e às folias
Populares, tradição
No interior, no sertão,
Na praia de onde eu vim,
E nas cidades. Assim
Se revive o nascimento
De João, e o advento
Da vinda de Cristo, enfim.




 

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