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sábado, 4 de junho de 2016

DIA DO MANÉZINHO - INSTITUÍDO POR LEI MUNICIPAL


No dia do Manézinho
Instituído por lei,
Ele será quase um rei
Ou poderá ser sozinho
Aquilo que eu adivinho:
Um deus menor, em extinção.
Quero, pois, fazer, então,
Homenagem merecida
À essa figura querida
Da Ilha e da região.

Sô Manézinho i nô nego.
Mas não sô burro nem cego
Como tu pensa, istepô!

Não intisica qu’eu brigo!
Sô amigo dos amigo.
Não caçoe, pur favô!

Pos tu a modi qui qué
Fazê que eu sô Zé Mané.
Eu fiquei incanzinado
Pra briga, seu disgramado!

Mas cuaal tchê?
Você não vê
Que amo o sotaque teu?

Sou gaúcho de respeito!
Eu ademiro o teu jeito
De não falares como eu.

Até já sou manézinho,
Bebo o café com o vizinho
Em lugar do chimarrão...
Sem botas de pé no chão.

Então: enche teu pandulho
Di tainha cum dibulho
E a inhapa di cachaça...

E vê si não mi arrenega!
Si não te dou uma esfrega
Pra ti mostrá minha raça.

Não mi vem cum arremedo!
Di macho, não tenho medo!
E não mi arrenegue más,
Qui já tô de pé atrás.

Mas bah, eu ti-ve o a-zar
De assim eu pro-nun-ci-ar
Teu so-ta-que especiaal...

Que-ro que sa-i-bas amigo,
Que me dou tão bem con-ti-go,
Que, sem querer, fa-lo iguaal.

Eu a-de-miro o teu je-i-to,
És meu amigo do pe-i-to.
Te guardo no coração
Como se fosses irmão.

A modi qui, então, gaúcho,
Adescurpe! Eu disimbucho
Quando mi tiram do sério.

E sou um lobo-do-mar,
Possu insinar-te a pescar
Como pretendes, gaudério!

Desarrisca o que ti disse:
Eu fui tanso, foi tolice
De um Mané arreliado.
Adescurpe, e obrigado!

Eu que agradeço, meu rei!
Pois desculpar-me nem sei
Como, oh guasca macho!

Tu me deixastes sem graça
Sem ter amigo na praça
E até com cara de tacho.

Porém, agora que eu sei
Que sou um amigo do rei
Desta fabulosa ilha
Que tanto me maravilha!


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