Linguagem[+]

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

EU SOU AQUILO QUE PENSO

Se foi o meu pensamento
Pelos desvãos do caminho.
Se foi mas não está sozinho,
Viaja na aza do vento
Fugindo a cada momento
Para um lugar diferente.
E quando mais, de repente,
Ele se encontra comigo
Como um novo e grande amigo
Que estava e não estava ausente.

Na minha meditação
Eu penso acalmar a mente.
Com o pensamento presente,
Contrário à concentração
Que tento ter para, então,
Manter a mente vazia,
O meu pensar vai por via
Contra a paz meditativa
Deixando a mente cativa
Do que o pensar contraria.

Assim desisto e o sigo
Igual a um cão de bom faro.
Se ele parar eu paro,
Não sei se ando consigo
Ou se ele anda comigo.
Sei que o farejo de perto
Tendo o pensamento aberto
Às boas causas da mente
Seguindo a mesma corrente
Do pensar que me for certo. 

Meu pensamento é meu guia.
É meu vassalo e meu amo.
É meu mordomo se o chamo.
E é majestade, eu diria.
É o que eu sou, na alegria
E o que eu for, na tristeza.
Eu sou ele, com certeza,
Ele é eu, como pretenso
Dono de mim se assim penso
Ou se a mente for, dele, a presa.

Meu pensamento transita
Por Londres, por Portugal,
Por um país virtual,
Por uma terra esquisita,
Astro que ninguém habita,
Volta a Paris e Sodoma,
Retorna de novo a Roma
Vai à Áustria e a Berlim...
O meu pensar é assim
Como a minha mente o toma.

Mas pensar em sentimento,
Também me é prazeroso:
De beldades, sou esposo,
O amor, com consentimento,
Encontro a cada momento.
Mas, consentido, sem dor.
E assim, seja como for,
Chego ao êxtase da alma
Que a alivia e acalma
Como alma superior. 

A mente é o todo de um ser.
Somos o que a mente é.
Ou nos tornamos, por fé,
O que nós pensarmos ser.
Por isso temos dever
De ver o que nos convém.
O que se imaginar vem
Depois de pensar, em ação.
Pensar é transformação:
Pensemos só para o bem!

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ALHEAMENTO

 

Entre a vigília e o sono – o alheamento

Nem sei quem sou – se eu vegeto ou vivo.

Um sonho sem razão vem sem motivo

E com razão, influi no sentimento.

 

Precisamente aí nesse momento,

Surge o amor tão forte e incisivo

A distorcer o sonho, onde derivo

Que sem razão me faço sonolento.

 

E aflora o amor de novo já conforme

Uma vigília a ele, e não se dorme

Pra não perdê-lo no sono profundo

 

Entre a vigília e o sonho multiforme

O amor levita se tornando enorme


Feito o resumo inteiro deste mundo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cego


Cego é quem viu o que vê
E não enxerga nem sente
O seu foco, indiferente
À dor ou prazer, porque

Tem sempre a mente à mercê
Da convenção, que o mente
Sobre o que há. E evidente
Que vê o que ele crê.

Sentir, é tudo enxergar.
É ver o que está no ar.
É ter imaginação.

O ver, é profetizar.
É pois se por no lugar

Do que está na visão.